- porque dessa fruta eu chupo até o caroço! -

Tuesday, April 20, 2010

E aquele que acordou cheirando a merda, sorriu por saber que desbravara um cu desprevenido.

Tuesday, April 06, 2010

Nova bu (seita)
Tamanha a presteza divina
Que com pouco muito fez
E a seiva desta vagina
De aroma salgada tez
Causa epifania ao pensar
Desta forma de profunda fé
Onde não precisa mais orar
É só chupar a mulher

Friday, November 13, 2009

Nessas saídas noturnas, mesmo que se fale de outra coisa, o que nós buscamos mesmo é uma buceta nova para dormir e acordar com o pau dentro. O bônus pode ser computado com um boquete bem feito ou um cu guloso, habilidades que nem todas as mulheres possuem, mas quanto à buceta, bem, inicialmente todas elas possuem.
Choppada universitária então é o auge. Um monte de menininha recém promovida à vida adulta, loucas para exercerem suas liberdades contidas e, mesclado a isso, uma boa quantidade de bebida alcóolica liberada. Não é preciso ser especialista em buceta para saber que essa união resulta em muito sexo e sacanagem. Pois é com esse espírito que eu, 47 anos, continuo frequentando todas as choppadas de que tenho notícias. É, sem dúvidas, um lugar criado pelos deuses da putaria. Não existe nenhuma outra opção de noitada onde um homem como eu consiga uma ninfetinha dessas sedentas por sexo e já não tendo paciência para as coroas que se crêem jovenzinhas somente porque metem descaradamente, fixo minhas forças aí, nessa mistura de açougue de carne dura e orgia etílica.
Essa minha postura mudou ali por volta dos 30. Até então eu fugia das ninfetinhas. Não tinha paciência. Era muito "aí não", "ai, não gosto disso!" e baboseiras do tipo. Até então eu só queria saber das coroas que fodem muito e não tem nóia, ou quase isso. As ninfetas eram um porre desnecessário para o sexo. Até que mudei meus paradigmas e entrei numa crise profunda uma vez que não possuo mais o tipo físico que naturalmente as atrai. Sem saber onde buscá-la, chorava toda noite.
Vejam bem, eu não sou professor como o outro camarada que de vez em quando põe uma historinha ae e, dessa forma, não tenho muita oportunidade de conviver com ninfetinhas. Mas tudo isso mudou quando descobri esse fantástico mundo de choppadas.
Primeiro pensei que a idade seria um entrave, afinal, aparento uns 60. Mas logo descobri que esse não seria o problema e muito menos o meu físico que ostenta uma barriga protuberante - dessas que, sentado no sofá para ver o jogo, apoia-se uma caneca de chopp confortavelmente. Não, nada disso seria um problema. Nem minha calvíce, nem meu pau pequeno. Nada disso me impediria de comer uma daquelas ninfetinhas se elas soubessem, ou pensassem, que sou um professor. De quê? Ora, uma choppada não é bem um congresso, embora muitas vezes seja difícil distinguir um do outro, mas ali você pode ser amigo de alguém que apareceu para rever alguns alunos que já se foram e você resolveu ficar um pouquinho para esfriar a cabeça. [Creiam, esse papo sempre funciona] Naquele momento não há muita preocupação em checar as informações, comprovar o dito pelo não-dito ou mesmo averiguar se vale a pena dar para você ou não. Com álcool na mente, buceta pulsante e um professor à disposição, as ninfetas não perdem a chance.
Foi assim, fácil assim - sempre é - que arranquei Lídia daquele clubinho para minha casa. Dentro do táxi, entre uns beijos e outros, às vezes com meu dedo roçando seu clitóris e sua mão sob meu pau para deleite do taxista, falávamos amenidades como a fome na África ou o massacre de índios na amazônia peruana. Foi dessa forma que cheguei aqui com meu pau roçando a bunda de Lídia enquanto abria a porta do prédio.
Mas me deixe falar de Lídia.
Era acima do peso. Não era gorda, mas aquela menina cheinha, que se fizer boquete sentada do seu lado, no mesmo sofá, vai fazer surgir umas dobrinhas, uns bons pneus de caminhão em sua deliciosa barriguinha. Eu adoro essas. Normalmente as gordinhas são um terror na cama uma vez que não sendo o centro preferencial das cantadas noturnas, quando conseguem alguém disposto a comê-las, elas os comem para mostrar que são boas também, muitas vezes melhores que aquela Barbie sem graça que mau segura numa piroca.
Mas voltando à Lídia. Tinha 18 aninhos, recém ingressada na faculdade de Ciências Sociais e devido a isso se considerava bem moderninha já tendo até dado uns beijinhos numa amiga durante a tal choppada. Se insinuou para mim enquanto eu estava de olho em sua amiga, mas magra e gostosa, que ela beijava ardorosamente. Meu objetivo foi trazer as duas, mas a gostosa resolveu dar para um negão que apareceu do nada e devia ter um pau maior que o meu. Sem problemas, me sobrou a gordinha fudequinha.
Então, depois de abrir a porta do prédio e subir as escadas tentando encoxá-la a cada passada, como um muleque tarado que nunca teve uma mulher à disposição, trouxe Lídia para minha cama aos tropeços onde me armei de toda minha experiência afim de extrair gemidos, requebros e gozos daquela gordinha louca por pica!
Eu nunca peço um boquete de cara... se a mulher não vier logo, eu prefiro merecê-lo chupando sua bucetinha e cuzinho por longo tempo para depois ter moral quando disser, "vem e me chupa", saca? Eu adoro chupar uma buceta e adoro que chupem meu pau, então ... é só uma tática para ter os dois sem perda.
Mas com Lídia essa tática não funcionou.
Eu a chupei de forma apaixonada. Sua buceta estava raspadinha, pelinhos mínimos que começavam a crescer. Eu diria que ela tinha raspado aquela chaboca há uns 2 ou 3 dias de modo que agora já dava aquela sensação de arranhão quando esfregava minha cara entre suas pernas. Curtia essa sensação e me deliciava com aquele suco delicioso na minha boca. Empolgado, passei a fazer uso também dos dedos para aumentar as sensações dela. Primeiro um, depois outro dentro daquela bucetinha apertada. Parecia virgem, mas não tínhamos falado sobre isso. O terceiro dedo eu enfiei no seu cu enquanto chupava, lambia e cuspia no seu clitóris. Eu estava empolgadíssimo, mas Lídia mal se movimentava e não emitia nenhum som.
Depois de um tempo, pensando mesmo que ela tivesse apagado devido a seu estado etílico, levantei-me para olhá-la e qual foi minha surpresa ao me deparar com ela mordendo o dedo, cara pro lado e rosto crispado, como alguém que se concentra para evitar uma sensação horrível. Aquela poderia ser sua feição de gozo, pensei, e animado, subi na cama, pau duro na mão, avancei para seu rosto dizendo: "vem, me chupa".
Lídia, para minha surpresa virou a cara mais ainda, agora fazendo uma careta de nojo e disse, quase chorando, entre-dentes: "você enfiou o dedo no meu cu!!!"

...

Sinceramente o pouco sangue necessário para irrigar meu pau voltou imediatamente para meu cérebro e aí puder visualizar aquela cena ridícula.
Uma gorda fresca definitivamente não valia nada a pena.
Tentando aparentar calma, sai de cima daquele saco de banha, fui ao banheiro limpar o rosto tirando aquele fedor de buceta mal-comida e o resto de merda que havia ficado entranhado na unha do dedo que invadiu aquele ânus sem sabor.
Voltei ao quarto e ela estava completamente sem graça recolhendo suas coisas.
Não disse nada.
Apenas a peguei pelo braço e a conduzi porta a fora. Voltei ao meu quarto e digitei "ninfetas" no computador para ver se salvava a noite.
Pior do que uma punheta mal batida é uma gorda virgem e traumatizada.

Saturday, May 30, 2009

Poeteiria
oh minha bronha
meu objeto punhetil
meu idilio infantil
sou eu quem te sonha
oh minha bronha!

oh meu amor
meu produto de lascidão
fruto da minha solidão
quanta dor quanta dor
sou eu e minha mão
és tu, meu amor.

E deste ardor se revela o anil
mesmo que, momentâneo, prazer pueril
é de fato mui estranho, senão senil
fazer sexo tântrico com meu pau Brasil.

Thursday, August 21, 2008

Lindezas sutis

para Sabrina Sato


E diante de tanta incerteza posicionou a bunda na janela de forma a explicitar seu alvoroço fisiológico. Aos transeuntes, um prêmio pela existência daquela mulher. Sabrina era seu nome. Alta, magra, olhos esbugalhados, engraçada, safada, perspicaz e muita das vezes simpática. O que nos uniu foi uma mistura de sinceridade canalha e carência espiritual. Em suma, fomos amantes durante seis meses.


O outro lado da carência pode até existir, mas este vai e vem é o movimento cíclico do qual especialistas em saúde mental adoram falar. Na verdade, nosso ego é um misto de consciente apreensão com inconsciente compensação. O valor da afetividade ministra as doses de paixão de cada um e isto inclui os “dates” ou encontros de casais que estão procurando estabilidade.


O ponto central aqui é falar de uma amizade colorida que envolve magia e instabilidade, numa figuração emocional e sensorial experimentadas sem expectativa. Se anseios conscientes circundam nossos sentidos, é preciso contrabalançar com a limitação das expectativas, frente a experiências que geram prazer carnal e espiritual. Sabrina e eu fomos parceiros desta vivência sacana e auto ajudada que é interesseira do ponto de vista individual, egoísta até (quem não é?) e divina e pura como um altruísta verdadeiro, do ponto de vista coletivo.


Somos seres coletivos e individuais, ao mesmo tempo; é um paradoxo que as Humanas tentam resolver incessantemente. Os antropólogos e suas lentes de aumento e redução de perspectivas; afastamento e aproximação ou o pêndulo do conhecimento; a Sociologia das estruturas sempre foi reificadora; difícil. Economia existe porque supostamente nossas demandas de consumo são infinitas, e por isso precisamos economizar.


O anterior parágrafo é um breve pensamento sobre a complexidade do ser social, sem enfatizar as representações que estes seres desempenham na sociedade; ser social que é, ao mesmo tempo, todo mundo e apenas um; complexo. Sabrina e eu nos fundíamos na terça e nos separávamos na quarta; repetíamos a dose com posições diferentes no final de semana até que, por motivos estritamente canalhas, nos afastaríamos para, algumas semanas depois, rirmos do porre tomado no início das sacanagens, como crianças ou idosos celebrando a vida.


O envolvente carinho celebrado nos fins de semana espelha mais que nova perspectiva, e anuncia a abertura de novos tempos. E é deste acontecimento que extraímos inspiração para sorrir diante da existência. É este conceito de “diversão” que antecede o acontecimento para, intensamente, irromper em forma de inspiração para toda e qualquer leveza. Essa é uma das grandes dádivas da existência, pois não é só um fardo, como costumam enfatizar os filósofos. É uma idéia de imensidão e possibilidades, sempre manejando opostos que, para ser melhor, merece que seja plural, e não uma singular dialética. O bom e ruim e o quente e o frio são ricos em intermediários estados de “vir a ser” que não podemos qualificar, a não ser em momentos como os de envolvente carinho.


Sabrina sabia dos estágios entre o quente e o frio, e não apenas conhecia como brincava com suas possibilidades. E desta vez não estava me desconcertando! Normalmente, sua atenta mente canalha gostava de atentar meu juízo frágil, como da vez em que estava apertada para urinar, e me fez segurar sua fenda até chegar em casa, ignorando o fato de que eu estava ao volante, em plena Radial Oeste, uma via expressa da Zona Norte do Rio.


O devir é uma coisa que dá significado à ação; o que os antropólogos chamam de “convenções de símbolos”, e cuja função é permeada por anseios de ser entendido ou não, na ardilosa tarefa de se comunicar. Enfim, por ela e com ela, devo dizer: sua beleza espiritual compensara suas safadezas, e é por isso que o que vivemos foi tão intenso quanto didático, para as almas leitoras deste sítio, desejosas de inspiração.

Thursday, February 21, 2008

A natureza dos filhos da puta velha

No fundo, o grande diferencial humano, o que rege a vida de cada ser , é o seguinte: a qualidade sócio-econômica do útero do qual vamos “sair”. Sim, pois dependendo de qual óvulo você fecundar (na competição enquanto espermatozóide sagaz), terá mais ou menos chance de obter algum tipo de capital. É o primeiro crivo natural? Este assunto surgiu na mente de uma trabalhadora madura, “da vida”, pois pensava o quão azarado seria o ser que, gerado por ela, fosse seu filho; estava em fim de carreira, era pobre, possivelmente doente e não tinha perspectivas profissionais pra os próximos 10 anos.

Sua tentativa frustrada de recordar as matizes teóricas da genética a incomodou bastante. Não que fosse uma completa ignorante no assunto, mas apenas se lembrara da condição material de sua família, e também da comparação que estabelecera com suas colegas de trabalho: algumas realmente não precisavam estar ali, pois os pais tinham condições de pagar faculdade e viagens ao exterior. Apesar da sorte no crivo natural, não souberam tirar vantagem. Percebeu o quão alienante é uma crise existencial para uma prostituta beirando os 50 anos. Verificou que se, enquanto espermatozóide, tivesse “entrado” em um óvulo de uma mulher pertencente a uma família de classe média, sua vida profissional teria sido mais promissora.

Sentia-se privilegiada, ademais, por realmente gostar da profissão, ser responsável e assídua, além de nunca ter sofrido graves agressões, tanto ao seu corpo quanto ao seu espírito - fora um vício temporário em crack no início dos anos 90, em São Paulo -, nestes 20 anos (sem trocadilhos, hã!) não tão bem sucedidos de carreira. Isto porque pôde pagar o tratamento de uma doença grave a uma “irmã”; nos anos 80 ter ajudado um irmão viciado, além de ter bancado o funeral da mãe. Mas não possuía herança material ou cultural alguma, se “virou” e conquistou relativa independência, podendo indagar inclusive sobre certas problemáticas científicas, como as vantagens de "adentrar" óvulos de mulheres de classe média, graças ao supletivo que freqüentou aos 30; vinte anos antes de cogitar a hipótese de ser mãe.

Com a idéia veio uma tentativa de se livrar da profissão. Não que achasse desagradável. Como disse: era uma das melhores de sua geração, tendo no currículo (se controlem com as piadinhas...) passagens por Itália, filmes pornôs nacionais e alguns desfiles chiques. A possibilidade de reunir uma quantia em dinheiro, era um mote inconsciente para sair de vez daquela vida, comprar uma casinha no interior e criar seu filho longe da vida bandida urbana. Porém, sentia-se infeliz ao previr o quão difícil seria sustentá-lo e, após uma rápida revisão em genética, se perguntou: eu ficaria triste se fosse filha de uma puta velha em fim de carreira? A resposta não surgiu...

Na rua ao lado do seu apartamento havia uma galeria cujo comércio incluía um sebo. Numa segunda feira chuvosa e parca, se permitiu ler sobre variados temas naquela velha livraria, comprando inclusive um livro chamado “Maternidade e prostituição na terceira idade: dilemas e alternativas para uma melhor condição de vida”, de um sociólogo, transexual e ex-cafetão da Praça Mauá. Naquele ensaio, obteve informações sobre a natureza dos “filhos da puta”, obteve conhecimentos específicos a respeito da putaria na terceira idade (disse o professor do autor, indignado: você que estudar puta velha?! puta velha?!) e, melhor, ganhou confiança para investir em seu projeto de ser mãe.

Ainda sim, pairava em sua mente cansada a injustiça para com o “indivíduo-porra” que invadisse seu óvulo: o bebê nasceria na pobreza imediata, possíveis complicações de saúde futuras - considerando antigos vícios da mãe - e o possível auto-atributo de “filho da puta”. Não obstante, meditava sobre a condição fisiológica de seu útero, levando em conta que que já havia entrado em contato com mais de 2000 caralhos, e por isso temia a impossibilidade de “embuchar”. Estas dúvidas tiraram o sono daquela mulher madura, sacrificara suas mais ambiciosas pretensões maternas e deprimira seus sistemas nervoso e fisiológico, ao ponto de estimular a idéia de entrar em um programa de adoção. Seria difícil conviver com tal projeto? Seria pretensioso? Não somos especialistas no assunto, mas numa coisa todos concordam: azar do espermatozóide que “invadir” um óvulo pobre e desprovido de saúde adequada de uma puta velha em crise existencial. Não?

Thursday, January 31, 2008



Aventuras de um professor

2. O difícil equilíbrio entre o excesso de carinho e a carência

para Bruno Mazzeo

Para começar um dia tão movimentado na cidade maravilhosa, é necessária uma considerável qualidade de chamego sincero. Isto é uma dádiva dos deuses aos humanos, apesar do aparente descaso desses para com as próximas gerações. Sobre a carência, quando ninguém te dá parabéns no seu aniversário, você fica meio para baixo, mas se todo mundo resolve te ligar, aquelas tias avós que jamais falam com você a não ser na data do seu nascimento; enfim, todo aquele ritual, se exagerado, pode “encher nosso saco”. O que envolve uma dinâmica tão complexa como esta é o conceito de ternura.

Nos dias de hoje, as pessoas são muito carentes em relação ao amor, porque não têm sido preparadas ou encorajadas para tanto. Envolve uma postura diante da vida, desde uma conversa amigável com o burocrata ao lado, até um pedido de perdão de joelhos à mulher amada. É tanto doar leveza quanto saber digerir as raivas cotidianas, que são normais, mas destrutivas no longo prazo. É preciso contrabalancear o desprezo com a ternura, e as pessoas dispostas a amar incondicionalmente fazem exatamente isso, todo santo dia.

O professor pensava no quanto a Michele o levou para um outro patamar espiritual. Aquele encontro nas barcas se repetiu umas três vezes, onde conversaram muito, chegaram a discutir levemente, e então souberam que se fosse para ser apenas uma transa, não valeria lá tanto à pena investir nisso. Recordava como parou de beber como antes, mudou seus hábitos alimentares e, o mais incrível, pôde admirá-la e se apaixonar por ela. Michele é aquela menina artista por natureza, canta e encanta, é linda, gostosa, atriz, inteligente e é romântica. Sabe? Daquelas pessoas que falam coisas interessantes.

Trata-se de uma situação promissora: havia conhecido sua ex-mulher desta forma, com este mesmo potencial de seriedade ao lidar com as paixões. Buscando o equilíbrio entre uma carência afetiva e o excesso de “carinho” – excesso e atenção muitas vezes nem tão bons assim (ou será sempre bom?); mas há um outro nível de relacionamento, ignorado até então para o professor quando, após uma reviravolta dessas, resolveu se casar. Pois bem, as pessoas aprendem com os erros e superam suas limitações: superaram a separação numa boa, não importando aqui o fato de ela ter ido morar na África do Sul.

Havia passado um ano do término, e logo nestes dias de verão, tão profundamente compostos por emoções das mais variadas: é um misto de alegria poética com voraz atratividade; é um jongo misturado com Led Zeppelin; é uma flor compondo a cena de um bar caro e atrasado. O verão carioca nos incita uma carência afetiva romântica cantada por Chico Buarque, aparentemente suplantada pelas “festas da carne”, muitas vezes, como no Carnaval, tão ricas em ternura, porque a amizade ainda é o maior elo entre seres humanos. Naquele dia sentiu tudo isto ao mesmo tempo ao som de Cartola e Ultraje.

Saber disso e não ter outras chances de encontro como, por exemplo, ela não retornar mensagens ou telefonemas, é desolador. E é neste instante que se percebe a riqueza do hiato entre temporadas, estações do ano e a sucessão dos projetos. Michele é uma linda mulher ainda não conquistada, ela possui seus caprichos, suas idiossincrasias, mas ele já mudou só por possuir uma ternura em relação a todos em sua volta (esqueça os vascaínos), e exalar encanto. É nesse momento que, sem se interessar por sinucas baratas e vazias, permanece em casa só, muitas vezes sem nem um amigo, apenas meditando sua leveza, sua carência e sua suposta disposição para grandes feitos.

O fato é que sua vida será modificada para MUITO melhor se estas emoções se concretizarem. Michele não sabe o quanto ela é importante para esse romântico professor, cansado, na véspera de carnaval, de sexo vazio. Este começo de relação é atemporal, você sente as coisas, as cultiva e elas novamente brotam quando os dois se encontram em algum ponto do futuro. É a carência afetiva que torna as pessoas aptas a um relacionamento mais poderoso, tornando-os pessoas melhores ou piores, vencedoras ou perdedoras, dependendo da reciprocidade; e é o excesso de bajulação, carinho ou atenção, que desvia a pessoa, nos campos da fisiologia e do estado de espírito, do padrão de qualidade das relações buscado.

Viva o Carnaval provido de carências!! Pois, sem dúvida, tudo será muito mais prazeroso. O professor, ao fim do dia, sem aquele chamego sincero e de qualidade, abre uma cerveja gelada, tira o disco de jongo e põe “Communication Breakdown” de Led Zeppelin, para sentir esse re-balanço estético, existencial e poético, balançar sua cabeça. Sobre a carência, quando ninguém te dá parabéns no seu aniversário, você fica meio para baixo, mas se todo mundo resolve te ligar, aquelas tias avós que jamais falam com você a não ser na data do seu nascimento; enfim, todo aquele ritual, se exagerado, pode “encher nosso saco”. O que envolve uma dinâmica tão complexa como esta é o conceito de ternura.

Monday, January 21, 2008

Navegar-te preciso

(para Gisele)

Quando te beijo

sinto gosto de Baco na boca;

sinto cheiro de becos

nos bicos dos teus seios

e teu sexo é barco onde busco

navegar entre desejos baços,

em brejo de amores borolentos,

escondidos por brumas,

estimulados por bronhas

(mas, enfim, meus!).

Contigo barganho, negocio, declino

até que te tomo na raça,

te bato na cara,

você berra, baba sobre mim e,

bichinho bonito,

embrenha-se em meus braços

e balbucia que me ama.

por Jairo da Costa Pinto Filho (1947-2001) em memória...

Aventuras de um professor

1-A eterna contenda dos laços afetivos contra os interesses individuais

Trata-se de um lugar feliz para refletir os seus métodos de ensino; ali, o professor não apenas distinguira ficção de realidade, mas também desobstruiu suas veias entupidas. Pôs-se a praticar a terapia diária de dar algumas aulas para adolescentes, em maioria, mas também para os jovens de 11 anos de idade. Eram tempos de muita confusão no ar, eram tempos de muita intolerância estampada nos semblantes publicitários, eram tempos de mesmas músicas diárias nas rádios, de sítios viróticos na rede, muitos outdoors nas ruas e novos big brothers bitolantes.

Caminhamos em direção ao sinal para atravessarmos na transversal mais próxima do caminho de onde saem umas barcas. Percebemos que, após uma aula inaugural em uma manhã de verão, todos estão submetidos a uma paixão coletiva e, em parte, alienante. Dizia ao aluno da turma dos mais adultos que, sobre as doenças sexualmente transmissíveis, o Carnaval era um grande “poleiro de infecções”, e o aluno respondera, sem enganos: é também um momento bom para arrumar namorada. O professor, diante de uma demonstração de romantismo, teve seu dia transformado.

E passeava pela Av. Rio Negro quando ouvia conversas alheias, fragmentos de diálogos de pessoas sem rosto, porque andava olhando o chão, que nem um cavalo. Por volta das seis e meia da tarde achava divertido estar junto da multidão, que não era das maiores. Pois sabia que um dia de trabalho era cansativo e desgastante e que, ouvindo conversas públicas, saboreiava a possibilidade de ensinamento sem pretensões com a “verdade da ciência”, ou pelo interesse material que rege a vida do trabalho: era o momento da linguagem livre, fluída e espontânea como a de um flerte pela Baía da Sarambaia.

Por importância geográfica há que se dizer das vindas ao Grande Rio: eram pratos cheios de emoção e comoção. Afinal, das alunas não cortejava ninguém, a não ser as ex-alunas das vezes que encontrava perto do trabalho. Cultivara uma ética de poucos: jamais comeu uma aluna. Fazia mais por carência de meios eficazes de conciliar seus interesses individuais, com os laços profissionais ou afetivos, neste caso ambos, que precisava para continuar trabalhando.

As barcas levam nosso amigo para um ponto distante daquela barulheira citadina, mas levava-o em direção a outra. Então aquele hiato sonoro reverberava na sua condição de ex-casado de uma forma positiva. De maneira que, silencioso, caminhava em direção ao fundo da barca quando avista uma jovem de seus vinte e poucos anos, linda, lendo com cara de saciada em leitura e sexo, um livro de um autor de quem é um grande fã. Era um movimento instigante o de flertar naquela balsa, mas sabia de suas próprias dificuldades quanto a este movimento. Só que sabemos: nas melhores ocasiões para exercitar isto, o movimento surge por parte de quem supostamente seria alvo dos olhares.

E desta maneira, tranqüilo e sereno, esperando o “sinal” dela, recordara a parte de sua recente aula de Química, quando explicara a uma grupo de meninas o que era feromônio. É preciso enfatizar que havia confiança e respeito mútuos entre mestre e alunas para que este assunto viesse à tona. Dizia que os feromônios são substâncias químicas que, captadas por animais de uma mesma espécie (intra-específica), permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos. Os feromônios excretados são capazes de suscitar reações específicas de tipo fisiológico e/ou comportamental em outros membros que estejam num determinado raio do espaço físico ocupado pelo excretor. Existem vários tipos de feromônio, como os feromônios sexuais, de agregação, de alarme, entre outros. A palavra feromônio foi cunhada pelos cientistas Peter Karlson e Adolf Butenandt por volta de 1959, a partir do grego antigo ϕέρω (féro) "transportar" e ὁρμῶν (órmon), particípio presente de ὁρμάω (órmao) "excitar". Portanto, o termo já indica que se trata de substâncias que provocam excitação ou estímulo.

Ao recobrar a atenção para a morena dos olhos grandes claros que estava sentada perto dele, sentiu o bem estar necessário para exercitar a leveza convidativa; se lançando nesta aventura. Perguntou a ela se conhecia o primeiro livro escrito pelo mesmo autor que lia agora, e ela disse, curiosa, que não, e ainda sorriu. O movimento inicial foi de um brilhantismo muito comum deste estado de espírito. Fora, pois, um promissor começo para uma primeira impressão grandiosa. Afirmou possuir a tal obra: “O enterro do Diabo” era o nome; somente neste instante é possível definir as alternativas, pois é aqui que se percebe uma química da qual dependem as espécies humanas e não humanas para “transportar” e “excitar”, segundo a etimologia suscitada pelos termos gregos.

Ocorreu que, oito minutos depois, estavam caminhando pela mesma rua quando subitamente uma chuva tenta interromper o percurso dos dois. Ela estava vestindo uma bermuda jeans e uma camisa de malha, curta e apertada aos seios protuberantes; suas pernas eram lindas assim como seu rosto, o cabelo esvoaçava e o vento deixava-o sem um formato padrão, mas naquele conjunto se transformava. Nem precisamos comentar o fato de que ela já queria, no mínimo, sentar para tomar um café, beliscando umas torradas com manteiga.

Foi neste ínterim passado da barca a uma confeitaria que, ao som de Milton Nascimento, perceberam a grandeza de uma supostamente burocrática segunda feira chuvosa de verão, no fim do dia. Satisfez sua curiosidade até quando achou necessário; elogiou até quando achou conveniente; elegeu suas melhores piadas e escolheu a linha de raciocínio mais cabível para deslocar esse café prum samba. No que acerta aqui, erra acolá, no que se age por instinto, se fala por interesses fora de hora; no que flerta se desconcerta; e a conta traz até um leve constrangimento.

E então é retomada a primeira temática, a dos livros. Combinam enfim um chopp gelado no dia seguinte para, andando de encontro a uma rua estratégica, abraçá-la deixando que ela quisesse sentir sua barba a roçar-lhe a face fina e cheirosa; sorriram e, sábios, despediram-se sem qualquer afago ansioso, pois sabiam que no dia seguinte haveriam de desfrutar deste encantador encontro. Quando os laços afetivos se aliam aos interesses individuais, as pessoas abrem mão de desejos imediatos carentes de um contexto propício e agem mais sabiamente; mas negar que sofremos influências do ego é mentira. As ações impostas pela razão precisam ser contrabalanceadas pelas ações impostas pela emoção.

Eram tempos de muita confusão no ar, eram tempos de muita intolerância estampada nos semblantes publicitários, eram tempos de mesmas músicas diárias nas rádios, de sítios viróticos na rede, muitos outdoors nas ruas e novos big brothers bitolantes. Mas o nome dela é Michele...


Wednesday, January 16, 2008

A reprodução sócio-econômica das mulheres "gostosas" e "gatas": uma visão sobre saúde e estética no Rio de janeiro.

para as "putas disfarçadas"(música do Planet Hemp)

É muito difícil estar atento aos males da estética no que se refere ao conceito de “beleza”. Nos dias de hoje, onde metrosexualidade, anorexia, imagem em excesso e escravos da informação empilham os divãs, assentando desde portadores de patologias modernas do hedonismo, até o clássico maníaco depressivo crônico, o gráfico está em um dos seus altos picos no que se refere ao poder da imagem e do dinheiro. A importância (ou não) de ser bonita (o) está no centro deste ensaio.

As mulheres gostosas são tipicamente associadas a uma beleza que vem dos deuses, dizemos que é uma gostosa de “nascença”. Pois bem, ocorre que há uma equação simples que condiciona e determina a beleza, e que explica bem a artimanha do capital de “burlar” a natureza. É mais fácil implantar pêlos, silicones, tirar pêlos e remover cicatrizes, do que interferir na genética. Mas veremos como o capital se comporta em relação a isso também.

É muito comum vermos homens ricos casados com mulheres muito bonitas de nascença. São, normalmente, mulheres interessantes aos olhos ingênuos, senhoras da alta sociedade que exalam elegância e sabem discorrer sobre temas complexos e caros para a classe média empobrecida: vinhos, carros, lugares lindos, perfumes e artes. São, pois, mulheres cujos caprichos estão vinculados ao investimento feito nelas, desde infância. Aqui recorto: é que as que não tiveram esse investimento cultural, educacional e nutricional estão na categoria das que se casam por dinheiro. Não?

Bem, supondo que sim (esta é uma hipótese carente de provas), pensemos: se uma mulher rica casa com alguém rico, não é pelo dinheiro; se uma mulher não rica, mas muito bela e profissionalmente bem sucedida casa com alguém rico, poderíamos até relevar, pois quem sabe ela não é feliz no trabalho e na cama? Agora: as mulheres que não conseguiram porra nenhuma na vida profissional e, depois de 10 anos, aparecem dentro de um Porsche Carrera GT, loiras e gostosas, aí é que reside o lócus da ação reprodutora.

Pois as meninas ricas são mais bonitas por questões genéticas, assim como as mulheres pobres da favela são bem (até mais) gostosas do que as mulheres ricas da Zona Sul. O fato é que a beleza se vigora pelo capital; ser mãe cedo, não estudar, trabalhar em excesso, ter milhões de preocupações, tudo isto influi na beleza de uma mulher. Pois, não querendo ser generalista, mas já sendo: qual a diferença que o capital implica na beleza de uma mulher?

A influência é tão grande que primeiro devemos apontar alguns aspectos básicos. A genética, a cultura, a nutrição e o maior ou menor risco profissional. O primeiro aspecto se refere aos genes acumulados de uma geração anterior que usufruiu de todos os tipos de capital, cultural, educacional etc..., e que se condensou na nova geração reproduzindo tanto um organismo mais forte biologicamente quanto uma beleza mais padronizada. Explico depois essa parte.

O segundo aspecto é o valor cultural, como fazer viagens, conhecer obras de arte, pessoas inteligentes, participar de eventos internacionais, se envolver com questões complexas e, desde cedo, absorver ainda que parcamente uma educação de elite. Esta categoria de capital é uma das mais importantes, pois é ela que vai diferenciar o sucesso na carreira profissional e vai balizar a educação que dará aos filhos. É a cultura que organiza a vida doméstica, evita choques caóticos e crises nervosas sérias, e promove um equilíbrio entre amigos, colegas de trabalho e familiares.

O terceiro aspecto é fundamental para a saúde da mulher. Alimentação boa desde criança torna a pessoa mais capaz de ter uma pele boa, cabelos fortes e menos propensão a doenças. É o que diferencia muito as gostosas do morro das gostosas da Zona Sul, pois percebemos que, em certa fase da vida, vitaminas e sais minerais que ingerimos na infância influenciam na cura de doenças, ou seja, influencia em todos os aspectos da vida da pessoa.

O último aspecto é a soma de todos esses valores, pois a pessoa criada em uma família com capitais irá propiciar oportunidades para filhas e filhos que nunca serão experimentadas por quem está em uma família sem capital. A filharada é fruto do que foram seus pais, e tudo isto implica em duas coisas: 1) o capital não garante beleza a ninguém, mas ajuda muito; e 2) em geral, o capital vai gerar pessoas melhor realizadas e mais capazes profissionalmente, por uma questão econômica e cultural.

Neste sentido, esse ensaio visa elaborar uma equação genérica que contenha os seguintes fatores: CAPITAL + CASAMENTO COM MULHER INTERESSERA GOSTOSA = FILHAS GOSTOSAS. Reconheço nesta equação muitos defeitos, mas apontá-los seria perda de tempo, já que o mais importante não são preconceitos, todos nós sabemos que dinheiro (leia-se: poder) atrai mulher gostosa: é um fato da natureza humana. Em outras culturas, este poder torna um homem dono de quantas mulheres ele quiser. No Rio de Janeiro, as pessoas são sonsas e hipócritas quanto a isto.

Não estou dizendo que não exista amor, paixão e amizade nesses matrimônios, pois tudo isto faz parte da natureza humana, é uma condição humana se envolver intimamente e gerar uma família através desses sentimentos. Mas a grana é algo que faz muita diferença nos sentimentos, influencia demais nas escolhas e determina muito o lugar do rabo de alguém. Sobre a beleza padronizada dita acima, digo que moda e estética são essencialmente produtos cíclicos que regem uma moda (estatisticamente falando), ou seja, uma repetição, um padrão ou paradigma.

Esta beleza de hoje não foi igual sempre. Ocorre que para ser bela neste padrão, a pessoa investe grana em salões de beleza. Mas não é só por razões puramente estéticas. Trata-se de saúde também: um bronzeado feito sem exageros faz bem para a saúde; cuidar dos dentes faz bem para a saúde e é um fator crucial na estética; cuidar do cabelo é algo que também reflete a estima da pessoa; enfim, investir na saúde gera beleza, mas é justamente esse inocente investimento (porque todos fazem) que nos diferencia geneticamente quanto à beleza.

Uma mãe com todos esses cuidados vai reproduzir alguém que tenha propensão a uma vida esteticamente e salutarmente melhor. Se uma mãe pobre tem uma filha, com tempo as marcas de um não investimento irão falar mais alto. A equação acima, pois, é falha, por isso não me repito falando dos defeitos: conheci belas mulheres gostosas em aldeias amazonenses, no subúrbio carioca e nas favelas. O ponto não é esse; repito: o capital não determina a beleza, nem a pobreza determina a feiúra, mas salvo as exceções, o que temos?

Temos uma beleza padrão das mulheres da Zona Sul da cidade, em comparação com a parte pobre. “Não existe feio, existe pobre”, dizem alguns. O que se passa na cabeça das mulheres gostosas que não têm um futuro profissional promissor, inconscientemente, é a reprodutibilidade biológica, que envolve segurança, comida, cultura e oportunidades para as filhas. Elas podem nem pensar em beleza, mas está incluído no pacote, pois elas são gostosas, senão não casariam com os caras ricos. A não ser que o ricaço se case com uma baranga, mas acho raro. Em geral, suas mulheres são gostosas e bonitas. As suas filhas têm ou não bunda, são feias ou não, mas no geral o que se percebe é: quanto mais dinheiro você tem, mais mulheres gostosas e bonitas estão ao seu redor. Burlar a natureza é secundário, pois o principal para uma sociedade consumista, alienada e com patologias da informação, é ter saúde (beleza) e dinheiro (beleza) ao redor da cama. Não?

Monday, November 19, 2007

Estupro.

Todo dia quando ele chegava ao trabalho, ela, por fetiche ou sei lá o quê, punha-se a observar o andar meio rebolado daquele cidadão estranho. O cabelo dele, escorrido com um gel meia pataca e repartido para o lado esquerdo, combinava com o imenso e grosso óculos que além da quase cegueira, era denotativo do profundo mau gosto desta personagem. Sua camisa azul motorista, à moda antiga abotoada até o pescoço, seguida de uma esdrúxula e puída gravata borboleta vermelha, nada tinha que ver com os seus sapatos marrons afilados e chamativos; por fim, para nos bastarmos de deleite com a estranhice alheia: o seu suspensório vinho prendia à sua calça social azul marinho à altura do umbigo.

Portanto é para surpresa e espanto de todos que justo ela fosse criar qualquer tipo de fetiche ou desejo em figura tão desairosa. Esta bela mulher dos seus cabelos cacheados, e olhar de um profundo cor de mel, uma linda boca carnuda, de corpo torneado e esbeltos braços, de sua morenice advinda do costume de banhar-se ao sol, da justeza de suas roupas decotadas e da altivez do seu andar, sapiente de que encanta. Do desenho de sua bunda e pernas simétricas, talhadas pelo samba que melhor escultor não há, da sua presença e magnitude de espírito, do seu desenrolo em assuntos tão caros às mulheres, em sua forma direta e desenfreada de lidar com os homens. Era tão onipresente que por vezes até aos homens mais sórdidos punha medo. Pois no trabalho, como em qualquer outro ambiente social que freqüentasse, era uma mulher extremamente desejada.

Já ele trabalhava ali há 20 anos, não houve, desde então, qualquer notícia que diz respeito pela afeição dele pelo sexo, nunca foi visto com mulheres, nem de dizer sobre elas. Quando era convidado a alguma festa sempre se esquivava, mesmo nas comemorações de final de ano do trabalho era o primeiro a sair, logo após o brinde inicial. Era um anti-social de fato, conquanto não fosse um chato. Sua inclinação a labuta e sua subserviência faziam-no um trabalhador que todo o patrão gostaria de ter, mesmo que este patrão fosse o burocrático e tolerante estado. Já ela era “nova” na repartição, parecia ter vindo de transferência de outro lugar. Fazia parte do seu mistério não falar muito do seu passado. Embora fosse uma bela mulher, não pairava qualquer dúvida no que diz respeito as capacidades intelectivas e racionais desta senhora, como é praxe dentre nós, os machistas. A sua impulsividade atrelava-se a uma competência fora do comum, o que fez com que ela alcançasse rapidamente o cargo de chefia.

Com isto tudo que vos digo, assoma-se agora um comentário geral e maldoso de toda a repartição a respeito dos dois: ele era um “homem afeminado”, ela era uma “mulher quase homem”. Assim sendo, o senso comum - sempre preconceituoso - daquela repartição só poderia crer que o olhar e a observância daquela àquele era ou por desdém ou compaixão, nada mais. O que eles não sabiam, até mesmo porque não havia nenhum narrador para lhes contar, era que: o quê encantava aquela não era exatamente o tipo de homem que era ele, mas um detalhe em especial: a imensao protuberância que jazia sob sua calça. Sim! Pois nós, homens destreinados, e mulheres menos perspicazes tampouco fariam sorte de olhar para este “pequeno” detalhe, quando mais o detalhe compusesse figura tão híbrida e bizarra. Mas ela, com um tino animalesco pela sobrevivência hiper – desenvolvido, notou. Não só notou como naquela sexta-feira de lua cheia, propositalmente, dispensou a todos do expediente mais cedo, enquanto cobrava dele uma solução para um problema insolúvel, pormenores de serviço público. Quando o ultimo foi embora, pouco antes das 18:00hs, ela, após certificar-se de tudo, chamou-o, irritadiça e leve, a sua sala.

- o sr, por favor, queira se dirigir à minha sala - falou, num tom imperativo e doce.

Como de hábito, ele somente levantou os olhos e já ia cumprindo a ordem e,ao por-se de pé, percebeu que a saia de sua chefe parecia estranhamente curta, fazendo aparecer a polpa de sua bunda carnuda como também a renda no fim da meia calça preta que usava sob aquele pequenino conjunto vermelho. Mas, obviamente, não fez caso a questão. Até porque estranhamente seu coração palpitava mais rápido o que o normal: o que será isso? Pensou. Ela deixou-o entrar e ordenou que se sentasse na cadeira larga, enquanto fechava a porta e passava o trinco. Parecia mesmo que se tratava de um assunto sério, pois além da rápida palpitação, um estranho suadouro ebulia em sua fronte, neste momento. Ao olhar sua chefe percebeu que a sensação de calor era mútua, pois que ela agora desabotoava o seu conjunto e se despia. Mas começou a ficar confuso quando ela chegou-lhe bem pertinho e começou a respirar-lhe a nuca: se está com tanto calor, porque não se afasta? Era o raciocínio que ia tendo, quando foi agarrado pelo cabelo com força e num golpe teve sua boca posta por debaixo da saia da chefe cuja calcinha era posta para o lado num mesmo movimento com o corpo que pôs a saia para cima, enquanto procurava com o seu clitóris pelo lábio dele. Ela já sabia que tudo teria que fazer, por isso manejava com sabedoria e jeito a cabeça de seu subordinado, a tentativa dele de falar: o que estava acontecendo? se ela estava louca?, o que era aquilo? que acinte meu deus! eu exijo respei...to e coisas do gênero, ao invés de fazê-la parar, só dava - lha mais prazer dado o volume, intensidade e tom distinto de cada uma dessas frases. Assim, atingiu o seu primeiro orgasmo em pouco tempo. Já ele estava atônito e assim continuou quando ela, num gesto, escorregou com a língua pelo seu corpo enquanto desabotoava com maestria e rapidez toda sua camisa, deteve-se mais tempo na nuca dele e teve uma grata percepção: aquele ser estranho era extremamente asséptico. Enquanto lhe dava mordiscadelas na nuca e roçava o seu pescoço no barbeado diário do digno, que num gesto amacia e no contrário arranha, sentia erigir todos os seus pelos em arrepios intermitentes que lhe deixava com mais tesão e lhe endurecia os seios. Foi a eles quem recorreu logo após de se livrar do zípper e por a sua cueca de lado. Foi, na verdade, um subterfúgio para manter a aparência de comando, muito necessário para a obediência dos subordinados, porquanto na hora que fora retirar o pau dele da cueca não conseguiu fazê-lo com uma mão só, era deveras colossal. Foi, então, com as mãos e a boca diretamente para a cabeça do seu piru e em movimentos suaves e giratórios - que alternava com delicadeza a língua com os lábios e dedos úmidos - foi criando o espetáculo da paudurescência. A impossibilidade de pô-lo inteiro na boca, não só pelo comprimento, mas também pela grossura, foram compensados pelos movimentos ordenados de suas mãos, língua e boca que sugava todo o pequeno detalhe com tesão daquela zona erógena: desde o umbigo até os anus, passando pela virilha: arranhões, mordidas, chupadas, lambidas, cusparadas, batidas, novas chupadas, até o gogó, babada, punhetada, põe a camisinha na boca e num movimento único veste-lhe; o mundo entrava em erupção pra ele. Pois, quando sentia o seu corpo inteiro endurecer, todos os membros, mãos, braços, esfíncteres e pálpebras, ela parou. Levantou e suavemente introduziu aquele imenso e grosso pênis em sua vagina úmida e quente, latejante, sedenta, louca por ser penetrada, sentir um pau daquele entrando e indo ao fundo, dando –lhes pancadas uterinas e mesclando suavidade com rapidez, era tudo que desejava, mas por ora só introduziu a “cabecinha”. Ali se divertia, ali se comprazia ao ver a cara de espanto orgástico que tinha seu funcionário diante dela, ali em cima e rebolante da cabecinha, com seus dedos úmidos lhe tocando os seios duros, com as outra mão a segurar a crina de seu cavalo, ela cavalgava: só na cabecinha. Aos poucos, o molhado de sua buceta e o peso de seu corpo ia introduzindo mais e mais aquela pemba gigante em sua xoxota, tocando em diversos pontos sensíveis, enquanto ela o xingava e gritava feito louca, fazendo mover seu clitóris de forma espamódica e prazeroza, atingindo sue ponto G, que já a esta hora estava de um tamanho que poderia ser facilmente notado, assim teve o segundo orgasmo e o terceiro, num crescente que fazia ela se mover cada vez mais rápido e descontrolada, suas virilhas estavam encharcadas de tanto gozo e prazer, e no momento exato que ia chegando ao seu quarto orgasmo percebeu em seu mandado um leve tremor, seguido de um sorriso escapado de canto de rosto. Ao perceber que ele tinha gozado, ela se acalmou. Foi o bastante para ele recobrara o juízo vestir suas roupas e sem palavra alguma sair pela porta o mais rápido que pôde, ademais a tremedeira.

É bastante óbvio que o constrangimento de nossa personagem logo se transformou em raiva, ele jurava que iria se vingar, denunciá-la a justiça, desonrar-lhe a moral diante dos seus pares, mas depois de muito ponderar percebeu o quanto inverossímil era esta história, o quanto era denegrir a si próprio publicizá-la e a coisa que ele menos desejava, rapaz regrado e metódico, era denegrir a si próprio. De sorte que não lhe restou muito o que fazer com este episódio: ou ele o esquecia por completo (o que, convenhamos, há de ser impossível), ou ele escrevia um pequeno conto de três breves páginas, ou ele a relatava para algum escrevinhador inapto ter o trabalho de fazê-lo. Mas como sempre foi um homem sem ação e discreto, parece-me que não tomou resolução alguma.

Wednesday, November 14, 2007


Marlene, a puta vampira
(antes, ver Casablanca)

Em noites de lua cheia,
Marlene, tão bonita, se vestia
que ninguém entendia
porque se esgueirava
em ruas estreitas,
em becos e marquises.

Corria, na época,
história sem pé nem cabeça,
de que Marlene chupava homens
e usava seus sangues
para saciar a fome.

O que de Merlene sempre ouvi
era que seus beijos queimavam;
o que sempre percebi,
nos bares e esquinas,
eram vastos comentários sobre
sua técnica de amar:
loucas posições e
boca tentacular.

Cinco amigos meus
que saíram com Marlene,
morreram cinco dias depois,
de profunda anemia,
com pele amarela e
sorriso nos lábios.

Por Jairo da Costa Pinto Filho - em memória..

Tuesday, November 13, 2007

Histórias bacana (i) s N. 2

Acabava uma aula de terça feira, na noite ansiosa de uma semana de inverno, louco para alguém comer. Sabia muito bem que o bar era um lugar adequado para o híbrido custo/benefício. Explico: é que nas redondezas do Centro da Cidade há um bar que negocia 3 ampolas de cerveja por míseros 5 mangos. Foi lá que avistou, como sempre, as carcaças friáveis e noctívagas de uma vida bandida universitária. Ali havia meninices das que mais apreciava, porém se surpreenderia com o que lhe reservava aquela inocente noite.

Apenas o primeiro gole pode significar investimentos altos em psicotropia, para muitos. A aula na terça à noite sempre o faz escolher entre dois caminhos: esbórnia ou casa. Neste dia, como informado, a esbórnia vencera, mas não sem restrições: se lembrou da necessidade primordial que era comer alguém. Por conta de sua fama e status locais, daquela ruela underground negou muitas vezes todos os produtos oferecidos. Sendo fácil descartar essas coisas, se concentrou na missão porque, rapidamente, acabara de eleger uma vítima.

Ao insinuante convite para o bacanal, há os que se assustam: também pudera! Havia ali uma aura de confusa excitação em meio a putas drogadas, carros oficiais da Polícia Militar assombrando, alunos bêbados e raras alunas belas. Aliás, beleza era a única coisa que faltava naquela noite. E não ligava para isso, estava isento de qualquer cobrança ou exigência: sua pilha era pilhar aquela menina do bacanal oferecendo o que ela mais queria, além de sexo: maconha.

Então nos retiramos daquela viela triste e feliz para, ratos, levarmos aquela moça para um sítio seguro. Havia dito que há semanas não "trocava o óleo", e também havia dito que estava sem dinheiro. É bom que ela lembrasse deste detalhe, pois se fosse para pagar, iria ao puteiro. Ora! Não! Não faz a cabeça mais uma "foda financeira"! Ainda que mentirosos, ela não interrompeu o processo que levaria ao bacanal! Ao informar que ali haveria tudo, menos maconha, meu amigo nos largou no quarto e começamos a foder.

Minutos depois, antes mesmo do ato, ele volta ao quarto e agora está configurado o bacanal. Lembro que bebia uma cerveja gelada deitado e, feliz, percebi que estava precisando mesmo daquela sacanagem! Ela entendeu e não fez por menos; meu amigo estava meio mal, mas eu não vacilei. Tasquei-lhe vara até gozar na sua caroça feia e determinar que obtivera sucesso em ter ido para o bar, ao invés de ter rumado o caminho da roça. Reagindo bem ao resmungo do meu amigo, que disse “que merda, só tenho comido mulher feia!”, a menina afinal solta a seguinte frase: “dizem que ‘uma mulher foder com dois homens é coisa de puta’, mas pessoalmente acho que é questão de sorte!”. Então tá!

Tuesday, October 09, 2007


Depois da primeira, não mais conseguira deixar de querer
Sabor inconfundível, muitos anos ausentes e agora atrasado no seu paladar
Teria que sentir outras tantas, outras mais, sem mais tempo a perder
Queria que não lhe faltasse, não lhe recusassem o que tanto ansiava segurar

Não, se haveria vencedor para a guerra não lhe importava
Se o comando do país estava perdido entre mandos e desmandos, pouco ligava
Nada a fazia refletir sobre o futuro das crianças naquele momento
Mas sim, uma única coisa que lhe ocupava todo o pensamento:

Quantas pirocas ainda haveria de provar?

Tuesday, October 02, 2007

Histórias bacana(i)s 1.2


Sempre há uma resposta: mesmo para as mais descabidas loucuras ou perguntas que façamos sem mesmo querer-lhas encontrar; não encontramos, mas há. No limite, por dúvida, as arranjamos. Pois pergunto-lhes, a fim de obter de vocês tão somente o silêncio; não me há escapatória: como poderia uma jovem mais moça, bem mais moça, nem tão conhecida assim, amiga das amigas, louca por tabela, dançante e dorminhoca, magrela, como pôde, pois, ela querer –lhes assim os dois ao mesmo tempo? Talvez nem tivesse pensado, fosse talvez O sonho. Um breve orgasmo e pesadelo. Dor e prazer, elas sabem bastante disso. Mas eles eram dois e maior, portanto, suas ignorâncias. De sorte que se me adianto muito, trato de pormenorizar.

Fora surpreendida pelo mais velho num ato rápido, é bem verdade, que tomou-lhe a sua boca na dele e sugou-lhe os lábios, e com pequenas mordiscadelas junto ao roçar da barba, causava nela certo imobilismo e arrepios. Aprumava – sedento - o mais novo, contornava-lha as curvas poucas e o mamilo duro buscava, com as pontas dos dedos. O arfar dele e a pressão de seu corpo, fazia aquecer a temperatura dos dois que agora trocavam leves arranhões e amassos de roupas, enquanto ele segurava-a com firmeza e suavidade ao tempo em que beijava, agredia, suavizava, tudo em seu pescoço,querendo o pertencimento. Embora tivesse sido surpreendida, ela estava ali a bebericar com eles há bastante tempo, em bares sujos, desses que cheiram a mijo, a ouvir-lhes as besteiras, a sorrir-lhes frouxamente como quem nada quer além do sexo. E eles a disputá-la, ora com galanteios e devaneios, ora com sarcasmo, parecia um repente, onde cada qual alternava sua vez e se, por um acaso, falhasse o tempo da rima o outro teria o benefício da intervenção. Mas foi muito o papo e pior, muito pior, o fato de terem saídos os três dali de mão dadas, a esmo, em direção ao nada, ou ao tudo, ou ao um , fundir-se- bela palavra que esconde e revela, de fato une. A moça no meio e em cada ponta um. Pois é bastante razoável que, se ela aceitasse qualquer beijo sob esta condição, era o sinal. Não? Há uma clara lacuna nesta concatenação de idéias assim narradas: como esses dois que a pouco disputavam - com o que há de mais sutil e sórdido, que é o que se faz em detrimento do outro- a menina magrela ,concordaram em agora compartilhá-la? Sem efeitos literários, pode-se dizer que esta concordância ocorreu no entreolhar dos dois. Não que fossem dois vividos e experimentados na arte de olhar e tudo entenderem, profunda imanência de suas almas, nem tampouco eram daqueles acostumados a fazerem aquilo entre si,nunca tinham experimentado, mas de fato bastou o olhar e tudo se refez. Tanto assim foi que não fica contraditório dizer que depois de beijá-la intensamente, o mais velho “ofereceu-a” ao mais novo, que soube também tomá-la e foram muitas as histórias e os detalhes que cabem num grande e belo conto erótico a se fazer a seis mãos. Enquanto não o temos, basta dizer-lhe que ela se esbaldou, mostrou desenvoltura, eles também não pareciam se incomodar com a presença de pólos negativos tão próximos a eles mesmos, o imã dela tudo atraía. E ela foi ali e alhures tão chupada, lambida, beijada, fudida, dedada, puxada, arranhada, mordida, suada, rolada, apertada, enfiada que, quando eles quiseram por fim consumar a fusão dos corpos penetrando-a os dois ao mesmo tempo, ela chorou. Chorou tanto e com tanta força que eles se lembravam no dia seguinte, principalmente o mais novo, sempre garoto, como há de se provar. Como pôde, pois, ela querer –lhes assim os dois ao mesmo tempo? Era a perguntas que ressoava na cabeça do mais novo e ia se tornado frase, ao passo da lembrança que ele mesmo teria dedado com dois dedos o seu cu, enquanto a fudia, portanto um pau ali não seria tanto incômodo, não é mesmo? Mas que fora no meio interrompida por ele: como ela pôde... foi o que chegou a dizer, pois percebeu que estes mesmos dedos eram os que agora lhe escovavam os dentes.

Histórias bacana(I)s – N. 1
Somente naquela hora havia percebido a vontade dela de se atracar comigo. Mantive a calma e a destreza usuais para, enquanto rapaz oportunista, chamá-la junto do jeito que o Diabo gosta! Porém não parecia me sair muito bem nesta estratégia, posto que já tardava e ao mesmo tempo amanhecia, a chance da noite em um bar da cidade. Éramos três: meu amigo, a mulher e eu; pretendíamos nos unir na missão de não deixar aquela noite passar em branco! Se nós propusemos algo a ela? Por certo que nada falamos, pelo menos nada falei até ver, a centímetros de distância, meu amigo chamando a nuca dela com as mãos e tudo mudando de figura.
Na hora H há os que nada fazem, seja por timidez ou por falta de confiança. Bem, o que sei é que nenhuma das duas coisas me faltava no momento em que, ao fim do trâmite da boca do meu amigo pela língua dela, não hesitei e a catei de maneira voraz. E caminhamos até um ponto do bairro onde normalmente, se tudo estivesse bem e calmo, estariam a trepar casais e afins numa hora dessas. Nada. Éramos apenas nós e a noite como testemunha de um ritual muito conhecido desde a Grécia: o bacanal. Abaixei e posicionei minha língua em seu clitóris; ela tomou de assalto o pau do meu amigo e, quando vi, ela engoliu o meu e o dele, até configurarmos uma cena de filme de sacanagem: ele por trás dela e ela beijando meu membro. Ali tudo era festa! Bem, tudo ia bem até o calor e a sonoridade da ação tornarem-se cada vez mais eloqüentes para, de súbito, cair acima de nós (à direita), a resistência da vizinhança em forma de líquido para quase nos dar, não um balde de água fria, mas um balde de mijo quente. Ufa! Realmente a vizinhança não costuma dar sopa (apenas de urina) nessas horas.
Fora o sinal de que estávamos com sorte. Saímos imediatamente procurar um sítio menos repressor para continuar nossa saga por sexo a três. De pronto, naquela pouco movimentada quase manhã, avisto dois amigos bebendo com três mulheres! Sim, é isso mesmo que você está pensando: estavam indo fazer um bacanal também! A coincidência dos mesmos objetivos de curto prazo dos amigos, somada aos 10 ou mais anos de amizade que cultivavam, tornaram muito engraçado este encontro. Lá vão eles para um motel nota 6,5 realizar suas traveçuras! E cá ficamos, meu amigo e eu, na espera de entrar no primeiro ônibus estrategicamente escolhido. A hora não convidava mais a tomar cerveja, eram mais de 7 e a mulher nos queria em intensidade muito semelhante.
E estávamos a dormir quando tocam a campainha do lotação: descemos e caminhamos como religiosos numa procissão em direção a casa vazia do meu amigo. Precisavam ver: estávamos como três turistas voltando da noitada como cúmplices de um estado de espírito libertino, mas também de pureza. Afinal, era merecida nossa dormida, convertida em ternura ao despertar, nos sentindo plenos e sem pudores. A cama não esperava por pessoas com sono, no entanto. Foram momentos de um prazer louco e somente possível pelo grau de intimidade entre os amigos; apenas propício pela aventura bacana, e muito conveniente pela demanda inconteste da mulher, pelo ato.O bacanal foi um alívio para nossos corpos, uma comédia para nossas almas e uma história canalha para se contar.
Sim, foi uma comédia daquelas!! Em determinado momento a mulher começa a chorar e a dizer, sem precedentes, que não queria mais! Não queria mais! Paramos para, de paus duros, nos percebemos numa situação engraçada, pois minutos antes estávamos incitando uma dupla penetração, o qual foi cabalmente repreendido pela mulher, bem como recusou uns tapas conferidos em suas bandas: ela sentiu a pressão!!! Mas ao vê-la ali, sincera e sacana, não pensei duas vezes e ejaculei considerável quantidade em sua barriga e nos seios. Logo depois apenas lembro da mulher apertando um, nós já mortos, e ela a dizer, em plena manhã: “Vou para faculdade assistir aula. Tchau gente!”.

Monday, September 24, 2007

Choveu.

Havia um calor estranho, um calor que fazia suar para além do quente que estava. Um calor úmido, irascível, transbordante, um calor de anos, molhado e quente, como vapor, como vagina, como o útero, como as profundezas. Ela apareceu, e isto aturdiu o vento que soprou forte. Veio para provar a carne, o pescoço, a batata, a virilha, seu arroz insosso e seu pau rotundo. Eles se beijavam e tal qual o calor, a umidade aumentava, por entranhas e pêlos, pela mente- mente?- pelos membros enrijecidos, pelo tremor da carne, pelo forno, pela pequenez do mundo e suas belas virtudes, pelas limitações das relações humanas e dos indivíduos, e eles agora fundiam-se, e mais que dois é o infinito, todos sabemos. Saciaram a fome e a sede, a alma e o gozo, e os corpos teimaram novamente: se separaram.

Choveu.

Tuesday, July 17, 2007

"Bilhetes" e "Requiem para um Hímem" são poemas de Jairo da Costa Pinto Filho.. Aguardem mais poesias deste falecido fanfarrão!

Wednesday, July 04, 2007

Réquiem para um hímem
para Dom Eugenio Sales e Lucia Esparadrapo
I- INTROITUS
Querida, querida
não fique arrependida.
É tudo tabu, tudo preconceito.
E, além do mais,
dá câncer.

II- KIRIE (morreu uma criança)
Salve!
Nasceu uma fêmea,
que vai sorrir para o mundo,
vai amar um, odiar outro.
Salve esta anca!
Salve esta potranca!

III- SEQUENTIA
A paixão armazenada na varanda,
os beijos mordidos,
o ventre ao contato íntimo,
os sonos irrequietos,
os sonhos molhados,
a expectativa da novela,
a mão que desliza,
o ritmo taquicárdio,
a masturbação,
o desejado orgasmo.

IV- OFERTORIUM
Esta singela pelinha
eu a ofereço
aos jesuítas, às franciscanas,
ao Imposto de Renda,
ao meu inesquecível pai e
à minha idolatrada mãezinha.

V- BENEDICTUS
Bendito seja este corpo virginal!
Bendita esta boca inocente,
cujos dentes
fazem cócegas
no meu pau.

VI- AGNUS HÍMEN
Que retira os pecados do mundo!
Que fortalece o espírito frágil e
resgata madrugadas insatisfeitas!

VII- HOSANA
Hosana nas alturas – do gozo!
Hosana nas loucuras – da cama!
Hosana, Hosana, Rosana!

VIII- GRANDE FINALE
Querida, querida
não fique arrependida.
Lembre-se que sou seu amigo,
que estou aqui para o que der (principalmente)
e vier.
Anote meu telefone.
Vamos todos em paz!
Bilhetes
(I)
Enjoei desta vida sem sentido.
Não me arrependo de nada.
Não chorem por mim.
Quero que
vocês se fodam!

(II)
Cansei das putarias desta vida.
A você, Cecília, deixo uma calcinha e
um O.B. usado da Marília;
para você, Rejane, um poster
in cunnilingus da Alice.
Para Marília,
mesmo que me ame, deixo
o DIU enferrujado da Rejane.
Para você, Alice,
não deixo porra nenhuma,
porque você é muito puta.
Adeus, suas vacas!