- porque dessa fruta eu chupo até o caroço! -

Monday, January 21, 2008

Navegar-te preciso

(para Gisele)

Quando te beijo

sinto gosto de Baco na boca;

sinto cheiro de becos

nos bicos dos teus seios

e teu sexo é barco onde busco

navegar entre desejos baços,

em brejo de amores borolentos,

escondidos por brumas,

estimulados por bronhas

(mas, enfim, meus!).

Contigo barganho, negocio, declino

até que te tomo na raça,

te bato na cara,

você berra, baba sobre mim e,

bichinho bonito,

embrenha-se em meus braços

e balbucia que me ama.

por Jairo da Costa Pinto Filho (1947-2001) em memória...

Aventuras de um professor

1-A eterna contenda dos laços afetivos contra os interesses individuais

Trata-se de um lugar feliz para refletir os seus métodos de ensino; ali, o professor não apenas distinguira ficção de realidade, mas também desobstruiu suas veias entupidas. Pôs-se a praticar a terapia diária de dar algumas aulas para adolescentes, em maioria, mas também para os jovens de 11 anos de idade. Eram tempos de muita confusão no ar, eram tempos de muita intolerância estampada nos semblantes publicitários, eram tempos de mesmas músicas diárias nas rádios, de sítios viróticos na rede, muitos outdoors nas ruas e novos big brothers bitolantes.

Caminhamos em direção ao sinal para atravessarmos na transversal mais próxima do caminho de onde saem umas barcas. Percebemos que, após uma aula inaugural em uma manhã de verão, todos estão submetidos a uma paixão coletiva e, em parte, alienante. Dizia ao aluno da turma dos mais adultos que, sobre as doenças sexualmente transmissíveis, o Carnaval era um grande “poleiro de infecções”, e o aluno respondera, sem enganos: é também um momento bom para arrumar namorada. O professor, diante de uma demonstração de romantismo, teve seu dia transformado.

E passeava pela Av. Rio Negro quando ouvia conversas alheias, fragmentos de diálogos de pessoas sem rosto, porque andava olhando o chão, que nem um cavalo. Por volta das seis e meia da tarde achava divertido estar junto da multidão, que não era das maiores. Pois sabia que um dia de trabalho era cansativo e desgastante e que, ouvindo conversas públicas, saboreiava a possibilidade de ensinamento sem pretensões com a “verdade da ciência”, ou pelo interesse material que rege a vida do trabalho: era o momento da linguagem livre, fluída e espontânea como a de um flerte pela Baía da Sarambaia.

Por importância geográfica há que se dizer das vindas ao Grande Rio: eram pratos cheios de emoção e comoção. Afinal, das alunas não cortejava ninguém, a não ser as ex-alunas das vezes que encontrava perto do trabalho. Cultivara uma ética de poucos: jamais comeu uma aluna. Fazia mais por carência de meios eficazes de conciliar seus interesses individuais, com os laços profissionais ou afetivos, neste caso ambos, que precisava para continuar trabalhando.

As barcas levam nosso amigo para um ponto distante daquela barulheira citadina, mas levava-o em direção a outra. Então aquele hiato sonoro reverberava na sua condição de ex-casado de uma forma positiva. De maneira que, silencioso, caminhava em direção ao fundo da barca quando avista uma jovem de seus vinte e poucos anos, linda, lendo com cara de saciada em leitura e sexo, um livro de um autor de quem é um grande fã. Era um movimento instigante o de flertar naquela balsa, mas sabia de suas próprias dificuldades quanto a este movimento. Só que sabemos: nas melhores ocasiões para exercitar isto, o movimento surge por parte de quem supostamente seria alvo dos olhares.

E desta maneira, tranqüilo e sereno, esperando o “sinal” dela, recordara a parte de sua recente aula de Química, quando explicara a uma grupo de meninas o que era feromônio. É preciso enfatizar que havia confiança e respeito mútuos entre mestre e alunas para que este assunto viesse à tona. Dizia que os feromônios são substâncias químicas que, captadas por animais de uma mesma espécie (intra-específica), permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos. Os feromônios excretados são capazes de suscitar reações específicas de tipo fisiológico e/ou comportamental em outros membros que estejam num determinado raio do espaço físico ocupado pelo excretor. Existem vários tipos de feromônio, como os feromônios sexuais, de agregação, de alarme, entre outros. A palavra feromônio foi cunhada pelos cientistas Peter Karlson e Adolf Butenandt por volta de 1959, a partir do grego antigo ϕέρω (féro) "transportar" e ὁρμῶν (órmon), particípio presente de ὁρμάω (órmao) "excitar". Portanto, o termo já indica que se trata de substâncias que provocam excitação ou estímulo.

Ao recobrar a atenção para a morena dos olhos grandes claros que estava sentada perto dele, sentiu o bem estar necessário para exercitar a leveza convidativa; se lançando nesta aventura. Perguntou a ela se conhecia o primeiro livro escrito pelo mesmo autor que lia agora, e ela disse, curiosa, que não, e ainda sorriu. O movimento inicial foi de um brilhantismo muito comum deste estado de espírito. Fora, pois, um promissor começo para uma primeira impressão grandiosa. Afirmou possuir a tal obra: “O enterro do Diabo” era o nome; somente neste instante é possível definir as alternativas, pois é aqui que se percebe uma química da qual dependem as espécies humanas e não humanas para “transportar” e “excitar”, segundo a etimologia suscitada pelos termos gregos.

Ocorreu que, oito minutos depois, estavam caminhando pela mesma rua quando subitamente uma chuva tenta interromper o percurso dos dois. Ela estava vestindo uma bermuda jeans e uma camisa de malha, curta e apertada aos seios protuberantes; suas pernas eram lindas assim como seu rosto, o cabelo esvoaçava e o vento deixava-o sem um formato padrão, mas naquele conjunto se transformava. Nem precisamos comentar o fato de que ela já queria, no mínimo, sentar para tomar um café, beliscando umas torradas com manteiga.

Foi neste ínterim passado da barca a uma confeitaria que, ao som de Milton Nascimento, perceberam a grandeza de uma supostamente burocrática segunda feira chuvosa de verão, no fim do dia. Satisfez sua curiosidade até quando achou necessário; elogiou até quando achou conveniente; elegeu suas melhores piadas e escolheu a linha de raciocínio mais cabível para deslocar esse café prum samba. No que acerta aqui, erra acolá, no que se age por instinto, se fala por interesses fora de hora; no que flerta se desconcerta; e a conta traz até um leve constrangimento.

E então é retomada a primeira temática, a dos livros. Combinam enfim um chopp gelado no dia seguinte para, andando de encontro a uma rua estratégica, abraçá-la deixando que ela quisesse sentir sua barba a roçar-lhe a face fina e cheirosa; sorriram e, sábios, despediram-se sem qualquer afago ansioso, pois sabiam que no dia seguinte haveriam de desfrutar deste encantador encontro. Quando os laços afetivos se aliam aos interesses individuais, as pessoas abrem mão de desejos imediatos carentes de um contexto propício e agem mais sabiamente; mas negar que sofremos influências do ego é mentira. As ações impostas pela razão precisam ser contrabalanceadas pelas ações impostas pela emoção.

Eram tempos de muita confusão no ar, eram tempos de muita intolerância estampada nos semblantes publicitários, eram tempos de mesmas músicas diárias nas rádios, de sítios viróticos na rede, muitos outdoors nas ruas e novos big brothers bitolantes. Mas o nome dela é Michele...


Wednesday, January 16, 2008

A reprodução sócio-econômica das mulheres "gostosas" e "gatas": uma visão sobre saúde e estética no Rio de janeiro.

para as "putas disfarçadas"(música do Planet Hemp)

É muito difícil estar atento aos males da estética no que se refere ao conceito de “beleza”. Nos dias de hoje, onde metrosexualidade, anorexia, imagem em excesso e escravos da informação empilham os divãs, assentando desde portadores de patologias modernas do hedonismo, até o clássico maníaco depressivo crônico, o gráfico está em um dos seus altos picos no que se refere ao poder da imagem e do dinheiro. A importância (ou não) de ser bonita (o) está no centro deste ensaio.

As mulheres gostosas são tipicamente associadas a uma beleza que vem dos deuses, dizemos que é uma gostosa de “nascença”. Pois bem, ocorre que há uma equação simples que condiciona e determina a beleza, e que explica bem a artimanha do capital de “burlar” a natureza. É mais fácil implantar pêlos, silicones, tirar pêlos e remover cicatrizes, do que interferir na genética. Mas veremos como o capital se comporta em relação a isso também.

É muito comum vermos homens ricos casados com mulheres muito bonitas de nascença. São, normalmente, mulheres interessantes aos olhos ingênuos, senhoras da alta sociedade que exalam elegância e sabem discorrer sobre temas complexos e caros para a classe média empobrecida: vinhos, carros, lugares lindos, perfumes e artes. São, pois, mulheres cujos caprichos estão vinculados ao investimento feito nelas, desde infância. Aqui recorto: é que as que não tiveram esse investimento cultural, educacional e nutricional estão na categoria das que se casam por dinheiro. Não?

Bem, supondo que sim (esta é uma hipótese carente de provas), pensemos: se uma mulher rica casa com alguém rico, não é pelo dinheiro; se uma mulher não rica, mas muito bela e profissionalmente bem sucedida casa com alguém rico, poderíamos até relevar, pois quem sabe ela não é feliz no trabalho e na cama? Agora: as mulheres que não conseguiram porra nenhuma na vida profissional e, depois de 10 anos, aparecem dentro de um Porsche Carrera GT, loiras e gostosas, aí é que reside o lócus da ação reprodutora.

Pois as meninas ricas são mais bonitas por questões genéticas, assim como as mulheres pobres da favela são bem (até mais) gostosas do que as mulheres ricas da Zona Sul. O fato é que a beleza se vigora pelo capital; ser mãe cedo, não estudar, trabalhar em excesso, ter milhões de preocupações, tudo isto influi na beleza de uma mulher. Pois, não querendo ser generalista, mas já sendo: qual a diferença que o capital implica na beleza de uma mulher?

A influência é tão grande que primeiro devemos apontar alguns aspectos básicos. A genética, a cultura, a nutrição e o maior ou menor risco profissional. O primeiro aspecto se refere aos genes acumulados de uma geração anterior que usufruiu de todos os tipos de capital, cultural, educacional etc..., e que se condensou na nova geração reproduzindo tanto um organismo mais forte biologicamente quanto uma beleza mais padronizada. Explico depois essa parte.

O segundo aspecto é o valor cultural, como fazer viagens, conhecer obras de arte, pessoas inteligentes, participar de eventos internacionais, se envolver com questões complexas e, desde cedo, absorver ainda que parcamente uma educação de elite. Esta categoria de capital é uma das mais importantes, pois é ela que vai diferenciar o sucesso na carreira profissional e vai balizar a educação que dará aos filhos. É a cultura que organiza a vida doméstica, evita choques caóticos e crises nervosas sérias, e promove um equilíbrio entre amigos, colegas de trabalho e familiares.

O terceiro aspecto é fundamental para a saúde da mulher. Alimentação boa desde criança torna a pessoa mais capaz de ter uma pele boa, cabelos fortes e menos propensão a doenças. É o que diferencia muito as gostosas do morro das gostosas da Zona Sul, pois percebemos que, em certa fase da vida, vitaminas e sais minerais que ingerimos na infância influenciam na cura de doenças, ou seja, influencia em todos os aspectos da vida da pessoa.

O último aspecto é a soma de todos esses valores, pois a pessoa criada em uma família com capitais irá propiciar oportunidades para filhas e filhos que nunca serão experimentadas por quem está em uma família sem capital. A filharada é fruto do que foram seus pais, e tudo isto implica em duas coisas: 1) o capital não garante beleza a ninguém, mas ajuda muito; e 2) em geral, o capital vai gerar pessoas melhor realizadas e mais capazes profissionalmente, por uma questão econômica e cultural.

Neste sentido, esse ensaio visa elaborar uma equação genérica que contenha os seguintes fatores: CAPITAL + CASAMENTO COM MULHER INTERESSERA GOSTOSA = FILHAS GOSTOSAS. Reconheço nesta equação muitos defeitos, mas apontá-los seria perda de tempo, já que o mais importante não são preconceitos, todos nós sabemos que dinheiro (leia-se: poder) atrai mulher gostosa: é um fato da natureza humana. Em outras culturas, este poder torna um homem dono de quantas mulheres ele quiser. No Rio de Janeiro, as pessoas são sonsas e hipócritas quanto a isto.

Não estou dizendo que não exista amor, paixão e amizade nesses matrimônios, pois tudo isto faz parte da natureza humana, é uma condição humana se envolver intimamente e gerar uma família através desses sentimentos. Mas a grana é algo que faz muita diferença nos sentimentos, influencia demais nas escolhas e determina muito o lugar do rabo de alguém. Sobre a beleza padronizada dita acima, digo que moda e estética são essencialmente produtos cíclicos que regem uma moda (estatisticamente falando), ou seja, uma repetição, um padrão ou paradigma.

Esta beleza de hoje não foi igual sempre. Ocorre que para ser bela neste padrão, a pessoa investe grana em salões de beleza. Mas não é só por razões puramente estéticas. Trata-se de saúde também: um bronzeado feito sem exageros faz bem para a saúde; cuidar dos dentes faz bem para a saúde e é um fator crucial na estética; cuidar do cabelo é algo que também reflete a estima da pessoa; enfim, investir na saúde gera beleza, mas é justamente esse inocente investimento (porque todos fazem) que nos diferencia geneticamente quanto à beleza.

Uma mãe com todos esses cuidados vai reproduzir alguém que tenha propensão a uma vida esteticamente e salutarmente melhor. Se uma mãe pobre tem uma filha, com tempo as marcas de um não investimento irão falar mais alto. A equação acima, pois, é falha, por isso não me repito falando dos defeitos: conheci belas mulheres gostosas em aldeias amazonenses, no subúrbio carioca e nas favelas. O ponto não é esse; repito: o capital não determina a beleza, nem a pobreza determina a feiúra, mas salvo as exceções, o que temos?

Temos uma beleza padrão das mulheres da Zona Sul da cidade, em comparação com a parte pobre. “Não existe feio, existe pobre”, dizem alguns. O que se passa na cabeça das mulheres gostosas que não têm um futuro profissional promissor, inconscientemente, é a reprodutibilidade biológica, que envolve segurança, comida, cultura e oportunidades para as filhas. Elas podem nem pensar em beleza, mas está incluído no pacote, pois elas são gostosas, senão não casariam com os caras ricos. A não ser que o ricaço se case com uma baranga, mas acho raro. Em geral, suas mulheres são gostosas e bonitas. As suas filhas têm ou não bunda, são feias ou não, mas no geral o que se percebe é: quanto mais dinheiro você tem, mais mulheres gostosas e bonitas estão ao seu redor. Burlar a natureza é secundário, pois o principal para uma sociedade consumista, alienada e com patologias da informação, é ter saúde (beleza) e dinheiro (beleza) ao redor da cama. Não?

Monday, November 19, 2007

Estupro.

Todo dia quando ele chegava ao trabalho, ela, por fetiche ou sei lá o quê, punha-se a observar o andar meio rebolado daquele cidadão estranho. O cabelo dele, escorrido com um gel meia pataca e repartido para o lado esquerdo, combinava com o imenso e grosso óculos que além da quase cegueira, era denotativo do profundo mau gosto desta personagem. Sua camisa azul motorista, à moda antiga abotoada até o pescoço, seguida de uma esdrúxula e puída gravata borboleta vermelha, nada tinha que ver com os seus sapatos marrons afilados e chamativos; por fim, para nos bastarmos de deleite com a estranhice alheia: o seu suspensório vinho prendia à sua calça social azul marinho à altura do umbigo.

Portanto é para surpresa e espanto de todos que justo ela fosse criar qualquer tipo de fetiche ou desejo em figura tão desairosa. Esta bela mulher dos seus cabelos cacheados, e olhar de um profundo cor de mel, uma linda boca carnuda, de corpo torneado e esbeltos braços, de sua morenice advinda do costume de banhar-se ao sol, da justeza de suas roupas decotadas e da altivez do seu andar, sapiente de que encanta. Do desenho de sua bunda e pernas simétricas, talhadas pelo samba que melhor escultor não há, da sua presença e magnitude de espírito, do seu desenrolo em assuntos tão caros às mulheres, em sua forma direta e desenfreada de lidar com os homens. Era tão onipresente que por vezes até aos homens mais sórdidos punha medo. Pois no trabalho, como em qualquer outro ambiente social que freqüentasse, era uma mulher extremamente desejada.

Já ele trabalhava ali há 20 anos, não houve, desde então, qualquer notícia que diz respeito pela afeição dele pelo sexo, nunca foi visto com mulheres, nem de dizer sobre elas. Quando era convidado a alguma festa sempre se esquivava, mesmo nas comemorações de final de ano do trabalho era o primeiro a sair, logo após o brinde inicial. Era um anti-social de fato, conquanto não fosse um chato. Sua inclinação a labuta e sua subserviência faziam-no um trabalhador que todo o patrão gostaria de ter, mesmo que este patrão fosse o burocrático e tolerante estado. Já ela era “nova” na repartição, parecia ter vindo de transferência de outro lugar. Fazia parte do seu mistério não falar muito do seu passado. Embora fosse uma bela mulher, não pairava qualquer dúvida no que diz respeito as capacidades intelectivas e racionais desta senhora, como é praxe dentre nós, os machistas. A sua impulsividade atrelava-se a uma competência fora do comum, o que fez com que ela alcançasse rapidamente o cargo de chefia.

Com isto tudo que vos digo, assoma-se agora um comentário geral e maldoso de toda a repartição a respeito dos dois: ele era um “homem afeminado”, ela era uma “mulher quase homem”. Assim sendo, o senso comum - sempre preconceituoso - daquela repartição só poderia crer que o olhar e a observância daquela àquele era ou por desdém ou compaixão, nada mais. O que eles não sabiam, até mesmo porque não havia nenhum narrador para lhes contar, era que: o quê encantava aquela não era exatamente o tipo de homem que era ele, mas um detalhe em especial: a imensao protuberância que jazia sob sua calça. Sim! Pois nós, homens destreinados, e mulheres menos perspicazes tampouco fariam sorte de olhar para este “pequeno” detalhe, quando mais o detalhe compusesse figura tão híbrida e bizarra. Mas ela, com um tino animalesco pela sobrevivência hiper – desenvolvido, notou. Não só notou como naquela sexta-feira de lua cheia, propositalmente, dispensou a todos do expediente mais cedo, enquanto cobrava dele uma solução para um problema insolúvel, pormenores de serviço público. Quando o ultimo foi embora, pouco antes das 18:00hs, ela, após certificar-se de tudo, chamou-o, irritadiça e leve, a sua sala.

- o sr, por favor, queira se dirigir à minha sala - falou, num tom imperativo e doce.

Como de hábito, ele somente levantou os olhos e já ia cumprindo a ordem e,ao por-se de pé, percebeu que a saia de sua chefe parecia estranhamente curta, fazendo aparecer a polpa de sua bunda carnuda como também a renda no fim da meia calça preta que usava sob aquele pequenino conjunto vermelho. Mas, obviamente, não fez caso a questão. Até porque estranhamente seu coração palpitava mais rápido o que o normal: o que será isso? Pensou. Ela deixou-o entrar e ordenou que se sentasse na cadeira larga, enquanto fechava a porta e passava o trinco. Parecia mesmo que se tratava de um assunto sério, pois além da rápida palpitação, um estranho suadouro ebulia em sua fronte, neste momento. Ao olhar sua chefe percebeu que a sensação de calor era mútua, pois que ela agora desabotoava o seu conjunto e se despia. Mas começou a ficar confuso quando ela chegou-lhe bem pertinho e começou a respirar-lhe a nuca: se está com tanto calor, porque não se afasta? Era o raciocínio que ia tendo, quando foi agarrado pelo cabelo com força e num golpe teve sua boca posta por debaixo da saia da chefe cuja calcinha era posta para o lado num mesmo movimento com o corpo que pôs a saia para cima, enquanto procurava com o seu clitóris pelo lábio dele. Ela já sabia que tudo teria que fazer, por isso manejava com sabedoria e jeito a cabeça de seu subordinado, a tentativa dele de falar: o que estava acontecendo? se ela estava louca?, o que era aquilo? que acinte meu deus! eu exijo respei...to e coisas do gênero, ao invés de fazê-la parar, só dava - lha mais prazer dado o volume, intensidade e tom distinto de cada uma dessas frases. Assim, atingiu o seu primeiro orgasmo em pouco tempo. Já ele estava atônito e assim continuou quando ela, num gesto, escorregou com a língua pelo seu corpo enquanto desabotoava com maestria e rapidez toda sua camisa, deteve-se mais tempo na nuca dele e teve uma grata percepção: aquele ser estranho era extremamente asséptico. Enquanto lhe dava mordiscadelas na nuca e roçava o seu pescoço no barbeado diário do digno, que num gesto amacia e no contrário arranha, sentia erigir todos os seus pelos em arrepios intermitentes que lhe deixava com mais tesão e lhe endurecia os seios. Foi a eles quem recorreu logo após de se livrar do zípper e por a sua cueca de lado. Foi, na verdade, um subterfúgio para manter a aparência de comando, muito necessário para a obediência dos subordinados, porquanto na hora que fora retirar o pau dele da cueca não conseguiu fazê-lo com uma mão só, era deveras colossal. Foi, então, com as mãos e a boca diretamente para a cabeça do seu piru e em movimentos suaves e giratórios - que alternava com delicadeza a língua com os lábios e dedos úmidos - foi criando o espetáculo da paudurescência. A impossibilidade de pô-lo inteiro na boca, não só pelo comprimento, mas também pela grossura, foram compensados pelos movimentos ordenados de suas mãos, língua e boca que sugava todo o pequeno detalhe com tesão daquela zona erógena: desde o umbigo até os anus, passando pela virilha: arranhões, mordidas, chupadas, lambidas, cusparadas, batidas, novas chupadas, até o gogó, babada, punhetada, põe a camisinha na boca e num movimento único veste-lhe; o mundo entrava em erupção pra ele. Pois, quando sentia o seu corpo inteiro endurecer, todos os membros, mãos, braços, esfíncteres e pálpebras, ela parou. Levantou e suavemente introduziu aquele imenso e grosso pênis em sua vagina úmida e quente, latejante, sedenta, louca por ser penetrada, sentir um pau daquele entrando e indo ao fundo, dando –lhes pancadas uterinas e mesclando suavidade com rapidez, era tudo que desejava, mas por ora só introduziu a “cabecinha”. Ali se divertia, ali se comprazia ao ver a cara de espanto orgástico que tinha seu funcionário diante dela, ali em cima e rebolante da cabecinha, com seus dedos úmidos lhe tocando os seios duros, com as outra mão a segurar a crina de seu cavalo, ela cavalgava: só na cabecinha. Aos poucos, o molhado de sua buceta e o peso de seu corpo ia introduzindo mais e mais aquela pemba gigante em sua xoxota, tocando em diversos pontos sensíveis, enquanto ela o xingava e gritava feito louca, fazendo mover seu clitóris de forma espamódica e prazeroza, atingindo sue ponto G, que já a esta hora estava de um tamanho que poderia ser facilmente notado, assim teve o segundo orgasmo e o terceiro, num crescente que fazia ela se mover cada vez mais rápido e descontrolada, suas virilhas estavam encharcadas de tanto gozo e prazer, e no momento exato que ia chegando ao seu quarto orgasmo percebeu em seu mandado um leve tremor, seguido de um sorriso escapado de canto de rosto. Ao perceber que ele tinha gozado, ela se acalmou. Foi o bastante para ele recobrara o juízo vestir suas roupas e sem palavra alguma sair pela porta o mais rápido que pôde, ademais a tremedeira.

É bastante óbvio que o constrangimento de nossa personagem logo se transformou em raiva, ele jurava que iria se vingar, denunciá-la a justiça, desonrar-lhe a moral diante dos seus pares, mas depois de muito ponderar percebeu o quanto inverossímil era esta história, o quanto era denegrir a si próprio publicizá-la e a coisa que ele menos desejava, rapaz regrado e metódico, era denegrir a si próprio. De sorte que não lhe restou muito o que fazer com este episódio: ou ele o esquecia por completo (o que, convenhamos, há de ser impossível), ou ele escrevia um pequeno conto de três breves páginas, ou ele a relatava para algum escrevinhador inapto ter o trabalho de fazê-lo. Mas como sempre foi um homem sem ação e discreto, parece-me que não tomou resolução alguma.

Wednesday, November 14, 2007


Marlene, a puta vampira
(antes, ver Casablanca)

Em noites de lua cheia,
Marlene, tão bonita, se vestia
que ninguém entendia
porque se esgueirava
em ruas estreitas,
em becos e marquises.

Corria, na época,
história sem pé nem cabeça,
de que Marlene chupava homens
e usava seus sangues
para saciar a fome.

O que de Merlene sempre ouvi
era que seus beijos queimavam;
o que sempre percebi,
nos bares e esquinas,
eram vastos comentários sobre
sua técnica de amar:
loucas posições e
boca tentacular.

Cinco amigos meus
que saíram com Marlene,
morreram cinco dias depois,
de profunda anemia,
com pele amarela e
sorriso nos lábios.

Por Jairo da Costa Pinto Filho - em memória..

Tuesday, November 13, 2007

Histórias bacana (i) s N. 2

Acabava uma aula de terça feira, na noite ansiosa de uma semana de inverno, louco para alguém comer. Sabia muito bem que o bar era um lugar adequado para o híbrido custo/benefício. Explico: é que nas redondezas do Centro da Cidade há um bar que negocia 3 ampolas de cerveja por míseros 5 mangos. Foi lá que avistou, como sempre, as carcaças friáveis e noctívagas de uma vida bandida universitária. Ali havia meninices das que mais apreciava, porém se surpreenderia com o que lhe reservava aquela inocente noite.

Apenas o primeiro gole pode significar investimentos altos em psicotropia, para muitos. A aula na terça à noite sempre o faz escolher entre dois caminhos: esbórnia ou casa. Neste dia, como informado, a esbórnia vencera, mas não sem restrições: se lembrou da necessidade primordial que era comer alguém. Por conta de sua fama e status locais, daquela ruela underground negou muitas vezes todos os produtos oferecidos. Sendo fácil descartar essas coisas, se concentrou na missão porque, rapidamente, acabara de eleger uma vítima.

Ao insinuante convite para o bacanal, há os que se assustam: também pudera! Havia ali uma aura de confusa excitação em meio a putas drogadas, carros oficiais da Polícia Militar assombrando, alunos bêbados e raras alunas belas. Aliás, beleza era a única coisa que faltava naquela noite. E não ligava para isso, estava isento de qualquer cobrança ou exigência: sua pilha era pilhar aquela menina do bacanal oferecendo o que ela mais queria, além de sexo: maconha.

Então nos retiramos daquela viela triste e feliz para, ratos, levarmos aquela moça para um sítio seguro. Havia dito que há semanas não "trocava o óleo", e também havia dito que estava sem dinheiro. É bom que ela lembrasse deste detalhe, pois se fosse para pagar, iria ao puteiro. Ora! Não! Não faz a cabeça mais uma "foda financeira"! Ainda que mentirosos, ela não interrompeu o processo que levaria ao bacanal! Ao informar que ali haveria tudo, menos maconha, meu amigo nos largou no quarto e começamos a foder.

Minutos depois, antes mesmo do ato, ele volta ao quarto e agora está configurado o bacanal. Lembro que bebia uma cerveja gelada deitado e, feliz, percebi que estava precisando mesmo daquela sacanagem! Ela entendeu e não fez por menos; meu amigo estava meio mal, mas eu não vacilei. Tasquei-lhe vara até gozar na sua caroça feia e determinar que obtivera sucesso em ter ido para o bar, ao invés de ter rumado o caminho da roça. Reagindo bem ao resmungo do meu amigo, que disse “que merda, só tenho comido mulher feia!”, a menina afinal solta a seguinte frase: “dizem que ‘uma mulher foder com dois homens é coisa de puta’, mas pessoalmente acho que é questão de sorte!”. Então tá!

Tuesday, October 09, 2007


Depois da primeira, não mais conseguira deixar de querer
Sabor inconfundível, muitos anos ausentes e agora atrasado no seu paladar
Teria que sentir outras tantas, outras mais, sem mais tempo a perder
Queria que não lhe faltasse, não lhe recusassem o que tanto ansiava segurar

Não, se haveria vencedor para a guerra não lhe importava
Se o comando do país estava perdido entre mandos e desmandos, pouco ligava
Nada a fazia refletir sobre o futuro das crianças naquele momento
Mas sim, uma única coisa que lhe ocupava todo o pensamento:

Quantas pirocas ainda haveria de provar?

Tuesday, October 02, 2007

Histórias bacana(i)s 1.2


Sempre há uma resposta: mesmo para as mais descabidas loucuras ou perguntas que façamos sem mesmo querer-lhas encontrar; não encontramos, mas há. No limite, por dúvida, as arranjamos. Pois pergunto-lhes, a fim de obter de vocês tão somente o silêncio; não me há escapatória: como poderia uma jovem mais moça, bem mais moça, nem tão conhecida assim, amiga das amigas, louca por tabela, dançante e dorminhoca, magrela, como pôde, pois, ela querer –lhes assim os dois ao mesmo tempo? Talvez nem tivesse pensado, fosse talvez O sonho. Um breve orgasmo e pesadelo. Dor e prazer, elas sabem bastante disso. Mas eles eram dois e maior, portanto, suas ignorâncias. De sorte que se me adianto muito, trato de pormenorizar.

Fora surpreendida pelo mais velho num ato rápido, é bem verdade, que tomou-lhe a sua boca na dele e sugou-lhe os lábios, e com pequenas mordiscadelas junto ao roçar da barba, causava nela certo imobilismo e arrepios. Aprumava – sedento - o mais novo, contornava-lha as curvas poucas e o mamilo duro buscava, com as pontas dos dedos. O arfar dele e a pressão de seu corpo, fazia aquecer a temperatura dos dois que agora trocavam leves arranhões e amassos de roupas, enquanto ele segurava-a com firmeza e suavidade ao tempo em que beijava, agredia, suavizava, tudo em seu pescoço,querendo o pertencimento. Embora tivesse sido surpreendida, ela estava ali a bebericar com eles há bastante tempo, em bares sujos, desses que cheiram a mijo, a ouvir-lhes as besteiras, a sorrir-lhes frouxamente como quem nada quer além do sexo. E eles a disputá-la, ora com galanteios e devaneios, ora com sarcasmo, parecia um repente, onde cada qual alternava sua vez e se, por um acaso, falhasse o tempo da rima o outro teria o benefício da intervenção. Mas foi muito o papo e pior, muito pior, o fato de terem saídos os três dali de mão dadas, a esmo, em direção ao nada, ou ao tudo, ou ao um , fundir-se- bela palavra que esconde e revela, de fato une. A moça no meio e em cada ponta um. Pois é bastante razoável que, se ela aceitasse qualquer beijo sob esta condição, era o sinal. Não? Há uma clara lacuna nesta concatenação de idéias assim narradas: como esses dois que a pouco disputavam - com o que há de mais sutil e sórdido, que é o que se faz em detrimento do outro- a menina magrela ,concordaram em agora compartilhá-la? Sem efeitos literários, pode-se dizer que esta concordância ocorreu no entreolhar dos dois. Não que fossem dois vividos e experimentados na arte de olhar e tudo entenderem, profunda imanência de suas almas, nem tampouco eram daqueles acostumados a fazerem aquilo entre si,nunca tinham experimentado, mas de fato bastou o olhar e tudo se refez. Tanto assim foi que não fica contraditório dizer que depois de beijá-la intensamente, o mais velho “ofereceu-a” ao mais novo, que soube também tomá-la e foram muitas as histórias e os detalhes que cabem num grande e belo conto erótico a se fazer a seis mãos. Enquanto não o temos, basta dizer-lhe que ela se esbaldou, mostrou desenvoltura, eles também não pareciam se incomodar com a presença de pólos negativos tão próximos a eles mesmos, o imã dela tudo atraía. E ela foi ali e alhures tão chupada, lambida, beijada, fudida, dedada, puxada, arranhada, mordida, suada, rolada, apertada, enfiada que, quando eles quiseram por fim consumar a fusão dos corpos penetrando-a os dois ao mesmo tempo, ela chorou. Chorou tanto e com tanta força que eles se lembravam no dia seguinte, principalmente o mais novo, sempre garoto, como há de se provar. Como pôde, pois, ela querer –lhes assim os dois ao mesmo tempo? Era a perguntas que ressoava na cabeça do mais novo e ia se tornado frase, ao passo da lembrança que ele mesmo teria dedado com dois dedos o seu cu, enquanto a fudia, portanto um pau ali não seria tanto incômodo, não é mesmo? Mas que fora no meio interrompida por ele: como ela pôde... foi o que chegou a dizer, pois percebeu que estes mesmos dedos eram os que agora lhe escovavam os dentes.

Histórias bacana(I)s – N. 1
Somente naquela hora havia percebido a vontade dela de se atracar comigo. Mantive a calma e a destreza usuais para, enquanto rapaz oportunista, chamá-la junto do jeito que o Diabo gosta! Porém não parecia me sair muito bem nesta estratégia, posto que já tardava e ao mesmo tempo amanhecia, a chance da noite em um bar da cidade. Éramos três: meu amigo, a mulher e eu; pretendíamos nos unir na missão de não deixar aquela noite passar em branco! Se nós propusemos algo a ela? Por certo que nada falamos, pelo menos nada falei até ver, a centímetros de distância, meu amigo chamando a nuca dela com as mãos e tudo mudando de figura.
Na hora H há os que nada fazem, seja por timidez ou por falta de confiança. Bem, o que sei é que nenhuma das duas coisas me faltava no momento em que, ao fim do trâmite da boca do meu amigo pela língua dela, não hesitei e a catei de maneira voraz. E caminhamos até um ponto do bairro onde normalmente, se tudo estivesse bem e calmo, estariam a trepar casais e afins numa hora dessas. Nada. Éramos apenas nós e a noite como testemunha de um ritual muito conhecido desde a Grécia: o bacanal. Abaixei e posicionei minha língua em seu clitóris; ela tomou de assalto o pau do meu amigo e, quando vi, ela engoliu o meu e o dele, até configurarmos uma cena de filme de sacanagem: ele por trás dela e ela beijando meu membro. Ali tudo era festa! Bem, tudo ia bem até o calor e a sonoridade da ação tornarem-se cada vez mais eloqüentes para, de súbito, cair acima de nós (à direita), a resistência da vizinhança em forma de líquido para quase nos dar, não um balde de água fria, mas um balde de mijo quente. Ufa! Realmente a vizinhança não costuma dar sopa (apenas de urina) nessas horas.
Fora o sinal de que estávamos com sorte. Saímos imediatamente procurar um sítio menos repressor para continuar nossa saga por sexo a três. De pronto, naquela pouco movimentada quase manhã, avisto dois amigos bebendo com três mulheres! Sim, é isso mesmo que você está pensando: estavam indo fazer um bacanal também! A coincidência dos mesmos objetivos de curto prazo dos amigos, somada aos 10 ou mais anos de amizade que cultivavam, tornaram muito engraçado este encontro. Lá vão eles para um motel nota 6,5 realizar suas traveçuras! E cá ficamos, meu amigo e eu, na espera de entrar no primeiro ônibus estrategicamente escolhido. A hora não convidava mais a tomar cerveja, eram mais de 7 e a mulher nos queria em intensidade muito semelhante.
E estávamos a dormir quando tocam a campainha do lotação: descemos e caminhamos como religiosos numa procissão em direção a casa vazia do meu amigo. Precisavam ver: estávamos como três turistas voltando da noitada como cúmplices de um estado de espírito libertino, mas também de pureza. Afinal, era merecida nossa dormida, convertida em ternura ao despertar, nos sentindo plenos e sem pudores. A cama não esperava por pessoas com sono, no entanto. Foram momentos de um prazer louco e somente possível pelo grau de intimidade entre os amigos; apenas propício pela aventura bacana, e muito conveniente pela demanda inconteste da mulher, pelo ato.O bacanal foi um alívio para nossos corpos, uma comédia para nossas almas e uma história canalha para se contar.
Sim, foi uma comédia daquelas!! Em determinado momento a mulher começa a chorar e a dizer, sem precedentes, que não queria mais! Não queria mais! Paramos para, de paus duros, nos percebemos numa situação engraçada, pois minutos antes estávamos incitando uma dupla penetração, o qual foi cabalmente repreendido pela mulher, bem como recusou uns tapas conferidos em suas bandas: ela sentiu a pressão!!! Mas ao vê-la ali, sincera e sacana, não pensei duas vezes e ejaculei considerável quantidade em sua barriga e nos seios. Logo depois apenas lembro da mulher apertando um, nós já mortos, e ela a dizer, em plena manhã: “Vou para faculdade assistir aula. Tchau gente!”.

Monday, September 24, 2007

Choveu.

Havia um calor estranho, um calor que fazia suar para além do quente que estava. Um calor úmido, irascível, transbordante, um calor de anos, molhado e quente, como vapor, como vagina, como o útero, como as profundezas. Ela apareceu, e isto aturdiu o vento que soprou forte. Veio para provar a carne, o pescoço, a batata, a virilha, seu arroz insosso e seu pau rotundo. Eles se beijavam e tal qual o calor, a umidade aumentava, por entranhas e pêlos, pela mente- mente?- pelos membros enrijecidos, pelo tremor da carne, pelo forno, pela pequenez do mundo e suas belas virtudes, pelas limitações das relações humanas e dos indivíduos, e eles agora fundiam-se, e mais que dois é o infinito, todos sabemos. Saciaram a fome e a sede, a alma e o gozo, e os corpos teimaram novamente: se separaram.

Choveu.

Tuesday, July 17, 2007

"Bilhetes" e "Requiem para um Hímem" são poemas de Jairo da Costa Pinto Filho.. Aguardem mais poesias deste falecido fanfarrão!

Wednesday, July 04, 2007

Réquiem para um hímem
para Dom Eugenio Sales e Lucia Esparadrapo
I- INTROITUS
Querida, querida
não fique arrependida.
É tudo tabu, tudo preconceito.
E, além do mais,
dá câncer.

II- KIRIE (morreu uma criança)
Salve!
Nasceu uma fêmea,
que vai sorrir para o mundo,
vai amar um, odiar outro.
Salve esta anca!
Salve esta potranca!

III- SEQUENTIA
A paixão armazenada na varanda,
os beijos mordidos,
o ventre ao contato íntimo,
os sonos irrequietos,
os sonhos molhados,
a expectativa da novela,
a mão que desliza,
o ritmo taquicárdio,
a masturbação,
o desejado orgasmo.

IV- OFERTORIUM
Esta singela pelinha
eu a ofereço
aos jesuítas, às franciscanas,
ao Imposto de Renda,
ao meu inesquecível pai e
à minha idolatrada mãezinha.

V- BENEDICTUS
Bendito seja este corpo virginal!
Bendita esta boca inocente,
cujos dentes
fazem cócegas
no meu pau.

VI- AGNUS HÍMEN
Que retira os pecados do mundo!
Que fortalece o espírito frágil e
resgata madrugadas insatisfeitas!

VII- HOSANA
Hosana nas alturas – do gozo!
Hosana nas loucuras – da cama!
Hosana, Hosana, Rosana!

VIII- GRANDE FINALE
Querida, querida
não fique arrependida.
Lembre-se que sou seu amigo,
que estou aqui para o que der (principalmente)
e vier.
Anote meu telefone.
Vamos todos em paz!
Bilhetes
(I)
Enjoei desta vida sem sentido.
Não me arrependo de nada.
Não chorem por mim.
Quero que
vocês se fodam!

(II)
Cansei das putarias desta vida.
A você, Cecília, deixo uma calcinha e
um O.B. usado da Marília;
para você, Rejane, um poster
in cunnilingus da Alice.
Para Marília,
mesmo que me ame, deixo
o DIU enferrujado da Rejane.
Para você, Alice,
não deixo porra nenhuma,
porque você é muito puta.
Adeus, suas vacas!
Transa
para a mulher de veludo
Por livros e poemas já não guardo o mesmo apreço.
Dúvidas quanto ao sistema não mais guiam meu destino.
Lágrimas acumuladas e tão travadas quanto o gesso,
não me causam tanto espanto quanto o ócio não criativo.

Guardas segredos em sete chaves caras... as lembranças!
Sentes a nuca, em nuances, nua como nunca... a carência!
Voltas ao passado recente e enfraquece... são as ânsias!
Esqueces que a doidera tem juros e preços altos... sua demência!

Então arde em suor safado quando grita ao mundo seu instante em segundos!!
Sofre aos beijinhos pois o próprio efeito carnal é por demais lindo!!
Por isso olha-me um sorriso sem jeito, tão bobo quanto astuto, e reconfigura
a alegoria do ato fato em um aparente descontinuum!!

Quanto aos livros relembro as tardes de domingo!
Quanto às dúvidas, não há sentido na política decadente!
Quanto às lágrimas, são fontes de energia positiva!
Quanto à você, espero que tenha gozado o suficiente!!

Friday, June 22, 2007

Núpcias
Deitou-se em minha cama e pediu-me um drinque.
Desabotoei minha camisa e lhe servi um Chivas;
após alguns goles me jogou no tapete e,
sem me deixar olhar, tirou a toalha.

O quarto pequeno, assim como seus seios,
esquentava cada vez mais.
Suas mãos suadas tocavam-me e
sentiam meu sexo já determinado.

Rigorosa e empolgada,
a doce criatura quer a vantagem,
e faz que me doutrina.
Seu alvorotar inquietante
trava meus ímpetos.
Ela me domina.

Durante a graça dos movimentos cabais,
portadores de força, selvageria e devassidão,
instaura-se o caos momentâneo no recinto.
Cavalga-me, e sinto sua vagina engolindo meu órgão,
mas, subitamente, pára e locomove-se:
seus dentes e seus lábios carnudos mordiscam meu sexo ereto.

E vai, sugando, se apoderando; meu instrumento
já é uma pré programada bomba, a expandir-se e
explodir o sítio já tão embriagado de torpor e tesão.
Ela que alimentar-se de sêmen
e, manualmente, me bolina.
Assim, no decorrer do ato, me olha repetidas vezes
ansiando pela jorrada explosiva,
até eu sentir a nulidade do meu ser já mergulhado em devaneio;
minha consciência dilui-se na volúpia, e então, freneticamente,
“a idéia de gozar já está gozando”.

Ela, ser dominante e atroz,
vibra ao beber meu fervente leite, deleite.
Baixando nossa euforia, a atmosfera noturna
descarrega o ambiente infernal:
estamos vertiginosamente relaxados.
E, já em paz, bebericamos o uísque etragamos o Marlboro
Repertório

Você me dispensou
porque não a acompanhava à praia,
e me enfiava num bar
para beber chope.

Você me renegou
porque não a levava ao teatro ou cinema,
e me metia num bar
para beber caipirinha.

Você me execrou
porque não lhe dava dinheiro para as compras,
e me exilava num bar
para beber conhaque.

Você me arrasou
porque não a amava todo dia,
e me esquecia num bar
para beber cointreau.

Você nunca reparou que
(para os fãs de Humphrey Bogart)
eu bebia desesperadamente
para suportar o medo de perdê-la;

ou
(para os fãs de Paulo César Peréio)
o meu grande mal
era misturar bebidas.

Por Jairo da Costa Pinto Filho - em memória...
“Retrucou o malandro que na verdade as pessoas são como peças e que, tal qual ocorre com as enzimas no organismo celular, existem formas específicas que possuem seus respectivos complementares. É o princípio das almas gêmeas, pensei, e cada vez mais usávamos clichês banais que nos revelavam agora grande veracidade, assustadora verdade tão ridicularizada pelos menos sensíveis. A questão não tem haver com sensibilidade, e sim com destino. O rapaz que um dia defendeu um projeto de lei que regularizasse a profissão de ‘comedor de mulheres’ para o bem estar geral das mulheres não comidas, e portanto, da humanidade em geral, esse cara aparentemente descrente nas emoções românticas, me leva através de clichês a acreditar na existência do amor. Segundo sua teoria, quanto mais as mulheres atingissem orgasmo, melhores seriam suas relações com o restante da sociedade, estimulando a saúde e o humor das encalhadas”.
(Trecho de “Poço sem água” em Contos Reunidos por Eduardo d’Avila – 2006).

Thursday, May 03, 2007

Vida atrevida

Estou num dilema. Tenho 25 anos, sou carioca morador da Tijuca, e quero dividir minha culpa com todos os cúmplices da agonia. Por uma mulher. Por duas. A insatisfação momentânea, que revela-se na contradição de amar e não mais amar ou no azar de amar duas mulheres ao mesmo tempo, acaba por unir em proporções variadas os mais diferentes tipos de, digamos, eternos amantes. Geralmente, estes seres românticos e pregadores da relação sincera e carinhosa, estes pobres enganados que esperam pela princesa infalível e reciclável, estes sonhadores, somos nós cancerianos. Alheios aos anseios populares pela divindade sexual, quando nos deparamos com Déboras ou Lúcias, simplesmente bloqueamos a ousadia carnal através de decretos-lei que exigem a “permanência da felicidade, a invariabilidade da paixão”. Nós, encaramos dilemas amorosos por sermos, ao mesmo tempo, ansiosos e incrivelmente melosos no amor; volúveis e totalmente apaixonados na relação; excêntricos e claramente submissos a mulheres extraordinárias.
Desordenadamente, com o passar dos meses, fui aprendendo a curtir e cultivar a vontade de ser um eterno amante. Assim, dividiria meu tempo entre doces mulheres sensíveis, e garotas quase-putas, freqüentes nos bares do meio universitário. Convivia comigo, nesta mesma época, Lúcia: a estagiária da sala ao lado da biblioteca da faculdade. Como eu fazia Relações Públicas, lia bastante acerca dos mais variados temas, como política, filosofia e teatro. Às sextas feiras, no entanto, passava por ela com olhares intencionados, cheios de tesão e euforia. Das primeiras vezes me ignorava, sem me deixar saber o que estava achando daquele chamativo cortejo. Enquanto não se fizesse pronunciar, não largaria mão daquele simbólico convite ao encontro boêmio dos alunos, no bar próximo ao espaço acadêmico. E, no esperado momento, Lúcia insinuou, quando já verídica a recíproca, que precisava comer antes de mais nada. “Essa bebe”, pensei rapidamente. Logicamente, convidei-a para almoçar e três horas depois, bebendo, eu já olhava para sua carne como quem não tem mãe; desalmado e brutal, senti a fonte do prazer embaixo dos meus olhos, e calmo, toquei violão ao espírito da bossa, de Cazuza, seduzindo-a sorrateiramente e, objetivo, já deixando a música de lado, beijando-a. Aos amigos do bar a inveja fez-se presente. Beijei-a e a descabelei a tarde inteira, e bebemos quase um engradado, conversando sobre a vida como personagens de um filme de Wood Allen.
No período seguinte, a semana de provas me afastaria de mais festas e contas no bar. Além disso, não via mais Lúcia em função do troca-troca de horários, de modo que escassearam nossos encontros pela faculdade. Terminadas as provas, como não voltar ao combate efetivo e objetivo? Então, como passe de mágica, me reaparece Débora.....
No 3o período, fiz um show com uma banda, no auditório da faculdade, pretendendo levantar o ânimo da galera contra os problemas de greve e desentendimentos políticos. Nesta apresentação tocamos rock e heavy metal, mas também músicas populares alegres. Como de costume, comentava sobre as greves quando, logo de trás, surge uma garota baixa e bonita querendo subir ao palco para falar. Eu, já um alcoolizado empolgado, desci na platéia e a trouxe junto aos meus braços para o palco. No meio do seu discurso, via seus seios pendentes sacudirem-se lentamente, suas mãos movimentarem-se junto ao falatório pertinente; e, com mais audácia, verifiquei a curvatura que ligava as costas a sua bunda empinada. Aquela mulher era um furacão para meus instintos, senti-me até confuso na hora em que falei com ela, ao término de seu discurso. Logo após o show, saí obstinado à caça da gostosa militante.
Agora, tenho pretensões de ser um eterno amante. Essa condição não pode de maneira alguma interferir em meus momentos de lazer egocêntricos e incompatíveis com um namoro propriamente dito. Não namoraria Lúcia nessas circunstâncias, momento em que comia Débora: a máxima potência feminina em forma de mulher independente; o pulmão de uma paixão sem precedentes que me fazia gastar R$ 80,00 por semana em motéis. Era como esquizofrenia, esforçava-me para atender às demandas de meus dois eus. Na biblioteca, após a sagrada leitura, fazia massagens em Lúcia, fazia com que se sentisse à vontade comigo, apesar do meu aparente descompromisso. Além disso, beijava sua nuca e dizia que não me sentia são, mas sim louco de desejo, sufocado pelo silêncio do recinto.
Nos fins de semana, o desdobramento era pior, avisava à cada uma o que não podia ser feito em tal dia e marcava algo possível para mim, mediante total controle da situação. Houve um Sábado, porém, em que Lúcia e eu transávamos no carro (eu estava duro) e, pela janela, vi Débora do outro lado da rua, mais à frente, aos amassos com um “coco-boy” típico da Barra da Tijuca. Nunca, em minha vida inteira de aventuras amorosas, havia acontecido algo parecido comigo. Eu me senti o homem mais azarado do mundo, por sentir vontade de fazer um escândalo dali a três metros, mas também com pura necessidade de sentir Lúcia em cima de mim, molhada e canalha, mudando de posição para melhor aproveitarmos o assento, gemendo e gozando em minhas camisinhas. Súbito, inseri-me exatamente na interseção das duas possibilidades: nem saí do carro, nem mantive ereção. Absolutamente indignado, apelei para o canastrão sofredor que chora aos braços da mulher, nesse caso a já saciada Lúcia. Em olhadelas rápidas, vi a mão do “coco-boy” na carnuda e empinada bunda de Débora, e então apressadamente minha respiração falhava e já chorava, compulsivamente. Lúcia vestia-se à fim de me levar para casa; sentia-me mal, achava que estava com febre, e até pedi que me conduzisse ao hospital. Mas, graças à sabedoria de Lúcia, acabei dormindo em casa, em meio ao seu cafuné e inspirado sexo oral. Mais uma vez pensava: “Lúcia eu não posso perder jamais”.
Ao próximo encontro com Débora, senti-me na obrigação de relevar o ocorrido do outro sábado. Eu me vi insensível e baixo perto da estonteante beleza e calorosa receptividade de Débora. Naquela semana, estava em cartaz uma peça teatral na universidade, meu convite foi aceito e, segurando sua mão, fui conduzido até o auditório por aquela mulher que, naquele instante, representava para mim nada mais nada menos do que um imprescindível recarregador de forças; um pulmão indispensável; todo o sentido de estar ainda vivendo contente e tranqüilo. Ao término da peça, almoçamos e emendamos num bar perto da faculdade. Lá, conversamos e, de repente, eu me deparo com a grande bomba: Débora se declara para mim, após ligeiros três chopes. Eu, sóbrio e taciturno, assisti a doce felina emocionar-se ao me dizer “Queria poder estar contigo nestes fins de semana incompletos, cheios de espaço”. Simplesmente pasmei, percebi a sua astúcia, clara estando sua citação as minhas jogadas do fim de semana, em prol da almejada dualidade: Lúcia e Débora, e vice-versa. Acabo de descobrir o quão nobre é o sentimento de Débora, que se permite entender minha extravagância amorosa. Ela é a sincera mostra do que se deve fazer quando a insatisfação aflora: se expor. Ela é a exposição. Eu, ainda chocado, pedi um uísque nacional e a conta. O papo incompleto desacelerou e então me retirei, prometendo refletir; de tanto que a amava naquele momento, sequer a toquei.
Acordo na terça, às treze horas, bêbado, e Lúcia me serve um café esplêndido. Não há como não se envolver profundamente com Lúcia; ela é praticamente completa, no que diz respeito à função da mulher para com o Homem. Sorri, enquanto dança; me beija, enquanto ri, enquanto chora e, durante a cópula, me consome e me usa como se eu fosse o último. Acorda de bom humor e sinto sua leveza. Como eu quero ser feliz ao seu lado! Não precisaria de nenhuma outra mulher, a não ser que não tivesse aparecido Débora, que me fez sentir sua ternura e sensibilidade envolvidas em um corpo esbelto e quente que, de tão quente, me faz esquecer da minha própria alma, de minha mãe, de Lúcia, do meu futuro. Me faz entrar em alfa não só pelo sexo, mas pela plenitude das atitudes, do beijo, do incessante carinho. O que há em nós que encerra-nos o sonho de sermos totalmente felizes?
Aos cúmplices ocasionais, devo meu apoio e apelo: estamos fodidos, porém ainda amados. Já que não podemos ser felizes com uma só mulher, nem com duas, de que nos serve a vida senão para sugar, sugar e sugar a própria? À heresia e ao pecado já nos acostumamos; a caça é um mero pretexto para o sucateamento das nossas constantes relações. Eu aprendi, após anos de dúvidas, que o mais sereno dos amores é o incondicional. Também percebi toda a história do amor e sua evolução, cresci ouvindo que o casamento não servia para nada, além de conceder-nos prosperidade. Também aprendi, já depois de moço, que a vida é a ausência da morte, e vice e versa; porquanto seremos apenas rebanhos, que acham que a vida terrestre é a melhor das estadias. A morte, penso eu, seria uma forma radical de cortar despesas.
Provoquei, então, a morte de Lúcia e Débora, porque não podia amá-las como mereciam. E foram-se rapidamente, sem dores, através do mais objetivo dos venenos: cianoreto. Sou o combalido da estória, mas amei, digo que amo e amarei minhas eternas amantes mais do que a mim mesmo. Prova disso há que ser ouvida ao primeiro estalo, quando, já apertado, o gatilho de meu revólver desencadear o processo de disparo da bala que encerrará a minha curta jornada na Terra. E, mais leve, encontrarei minhas divas, outrora inacessíveis, consolidando nosso amor para além deste plano, carnal e bruto; doentio e hipócrita. Nada mais impuro do que a dualidade, do que a dupla personalidade posta em prática, por devaneio engano. Pois, ao final dos fatos, lhes pergunto: não seria a liberdade a verdadeira essência do amor? Então, Lúcia e Débora, meus amores, sois livres!

Sunday, April 08, 2007

Não chove há meses e o ar, seco, deixa eu e minha garganta irritadíssimos. Me dizem que bebendo o máximo de água possível, litros e litros, a coisa pode amenizar, mas eu confio mais na cerveja que além de umedecer também embriaga. Santa cerveja. Foi o exemplo de minha mãe que me ensinou os passos iniciais e os amigos incentivaram e acompanham. Nem sempre a grana basta para o tanto de cerveja que meu cérebro agüenta antes de dar pane, mas ainda assim é melhor beber pouco e ficar de pilequinho a, simplesmente, abrir mão como muitos outros vivem a me buzinar. Que cada um cuide de suas hipocrisias e me deixem só. Com a cerveja. E foi com ela que encontrei Marília, a preta do morro da Mangueira.
Foi numa dessas noites de céu limpo com uma porrada de estrela lá em cima me bilando, sem qualquer nuvem e uma lua bem fininha, minguante, que resolvi descer para beber no boteco aqui de baixo. Havia esquecido, mas era dia do pagode. Pagode animado, negrada reunida em volta da mesa de ferro enferrujado e umas mulatas gostosas e rebolativas ao redor. Cena pra gringo se extasiar. Finjo não ver o furdunço e entro no fedorento bar do seu Agostinho que, contrariando a regra, não era português, mas espanhol. Um filha da puta murrinha com uma perna de carne e osso e outra de madeira. Ficava prostrado no bancão e raramente saia dali. Devia ter um balde pra mijar e cagar porque foram raras as vezes que o vi movimentando-se pelo apertado espaço que lhe sobrava entre freezeres e o balcão. A seu favor contavam a cerveja sempre gelada e a localização. Sem muito papo e frases diretas eu peguei minha cerva e sai de perto do seu bafo fedorento. Não havia mais mesas ou cadeiras disponíveis para um simples matutar de idéias como sempre fazia naquela espelunca que em dias de pagode, se estendia pela calçada e rua, tendo, os carros, de buzinarem para não morrer alguém. Muitos passavam devagar para ver aqueles lindos rabos pretos rebolando que eu fingia ignorar, mas que os já tinha memorizado e selecionado os melhores para apreciar. Uma saia rosa, bem curta, daquelas que quase mostram o cu quando balançam tinha duas perninhas finas e brilhantes, porém bem torneadas, por baixo mais uma barriguinha curta e reta e seios pequenos, porém bicudos acima. O rosto dispensa comentários e apreciações, mas sorria. Do seu lado, no extremo oposto, uma cavala. Daquelas que derruba um cara na cama e deixa prostrado por dias e dias sem querer saber de mais nada senão aquela boceta enorme. Se não a tem, bate várias por dias e dias pela recordação. Também de saia, porém preta como a pele, mas sem o brilho do par de coxas que era quase meu tronco e uma barriga seca. Vejam bem, não tinha nada de gorda, mas apenas aquele biotipo cavalona que deixa os gringos em estado de graça "brazilian woman is wonderful" iriam repetir para seus conterrâneos, isso se não a levasse para deixá-los, todos, babando e pedindo para comê-la querendo saber o preço. Algumas sambavam de calça e eu não entendia porque de tanto pudor. Havia também vestidos e shortinhos em volta da mesa mas de cavala, cavala mesmo, só a saia preta. Porém eram belas, sorrisos lindos com o brancão de dentes bem cuidados no contraste dos rostos negros. "Tudo puta", pensei. Casais, não havia muitos e os poucos estavam em volta, com sorrisos abertos e peles em outros tons. Muitos me pareciam apenas babacas que nada sabiam de samba ou pagode e ali pararam para apreciar os pretos excitados sentando porrada nos tantãs, pandeiros e demais instrumentos que desconheço o nome.
Lá do outro lado, no fundo, um pouco mais discreta e de sorriso contido, uma linda preta sambava de maneira a chamar pouca atenção. Era uma das que vestiam calça, porém se via pela silhueta suas deliciosas curvas. Eu estava de longe, sentado numa dessas merdas que nego coloca na calçada para evitar que ali estacionem. Talvez obra do espanhol desgraçado.
A jovem galega, filha do coxo, servia os pretos com tira-gostos da pior qualidade aliviados pela cerveja de garrafa esbranquiçada. Via pelo seu sorriso e rubor que deveria estar totalmente excitada imaginando os tamanhos daquelas picas sonoras. Talvez quisesse o cantor, esguio, com roupa aparentando ter vindo direto da loja de algum shopping e cordões de ouro falso que rasgava com o cavaquinho e não tirava o sorriso para cantar, mas talvez quisesse a mão grande e forte do negão no tantã que eu esperava arrombar o couro a qualquer momento e ela deveria fantasiar estar no lugar daquele couro. Tinha cara de pudica, mas não enganava. São essas que querem uma porrada na cara, uma pirocada com força e até mesmo umas surras para ficar marcada, mas somente onde pudesse esconder do velho galego. Não me enganava. Mas pelo olhar que flagrei, aquele olhar panorâmico, eu presumi que seu sonho eram todos os pretos ali reunidos, um carrossel de piroca preta ao serviço daquela branquinha singela e esguia ou ela a serviço de tanta rola escura. Dei minha golada e sorri visualizando a cena e a cara do espanhol se flagrasse. Filho da puta. Dei mais um gole para encerrar o copo e o enchi novamente. A cerveja perdia sua capinha branca, mas ainda mantinha o seu poder gelado.
Desviei um pouco meus olhos e fiquei observando a rua. Os carros e pessoas que passavam e me observavam junto e longe daquela algazarra, mas não me detive muito tempo. Senti uma vontade de observar outra vez a pretinha discreta lá no outro canto e a busquei novamente, mas ela sumira. A cerveja acabou antes que ela voltasse com uma cara de sonsa querendo fingir que nada acontecera. Levantei para buscar cerveja quando um preto, magro, que aparentava não ter mais que 20 e poucos anos vem da mesma direção que ela com a cara de quem comeu e gostou, daqueles que adoraria correr para os amigos e dizer o feito. Era claro demais para deduzir o que houvera, mas deixei estar. Já fantasiara demais com a galeguinha e aquela pretinha não me parecia ser do tipo. Peguei outra cerveja com o canalha e voltei ao meu posto. A pretinha sambava, dessa vez com mais desenvoltura. Vi o rapaz cochichando no ouvido de um amigo, do outro lado da roda, que a olhava e ria. Porra, não havia discrição nos atos e agora sim, me excitei de verdade.
Bebia e a deseja imaginando o que havia feito na rua do lado quando a vejo se encaminhar para o banheiro fedorento do bar. Vou atrás me esgueirando entre corpos rebolativos e suados. O banheiro fica lá atrás, entrando por um corredor de caixas de cervejas empilhadas, quase como num calabouço maldito. Ficava vazio de homens que preferiam urinar pela rua a ter que andar até lá e poucas eram as mulheres que mijavam ali, tamanho era o fedor. Quando cheguei a preta já tava dentro e eu fingi mijar. De dentro do meu fedor eu deixei minhas orelhas atentas para o movimento da porta e quando a ouvi, sai junto fingindo coincidência. Ela me olhou e sem pensar ou pestanejar, perguntei "foi bom chupar o pau dele?". Ela arregalou os olhos e nada disse, visivelmente surpreendida pela pergunta. Eu não vi, mas acertei em cheio. Não, ela não fudeu com ele na rua usando aquela calça jeans, mas um boquete bem dado era totalmente possível e sorri por dentro com a frase certeira. Ela tentou alguma reação, mas logo percebeu que o que me movera até ali fora um tesão arrebatador. Voltamos para a rua com uma tensão entre nós e ela aparentando estar puta com meu jeito.
Retornei ao meu posto e não tirei mais os olhos dela.
Ela percebia, estava de frente para mim, mas fingia me ignorar sambando com mais vontade e agora sendo tão rebolativa quanto as pretas que pareciam não cansar.
Ficamos nessa por muitos minutos e percebi que o pretinho chupado tinha se ligado. Olhava pra mim, meio que querendo intimidar, e eu só o reparava pelo movimento e um rápido olhar quando percebia que ele virava a cabeça para notar se ela me correspondia. Queria que ele sentisse que naquele pequeno jogo ele era carta fora.
O pagode durou mais um bom tempo entre intervalos e seqüências animadíssimas. O público aumentou para alegria do puto atrás do balcão, mas quando começou a diminuir, me liguei que era hora. Vi o pretinho sair para mijar do outro lado da rua e senti que era o momento. Voltei ao balcão, entreguei o casco e meu copo junto com o pagamento das cinco cervejas. Fiz questão de passar por trás dela e apenas susurrei "vem". Não esperei resposta, não olhei para trás e simplesmente andei na direção oposta a que vira ela saindo com o mijão lá do outro lado. Virei na rua e esperei na porta de serviço do prédio. Ela demorou um pouco e eu achara que a tática falhara quando vi sua sombra se aproximando da esquina. Abri a porta e a esperei. Não falamos nada, apenas pelo olhar. No elevador eu metia a mão por dentro de suas calças e ela se contorcia como uma cobra enquanto nos beijávamos quase que arrancando língua, dentes, esôfago, estômagos um do outro.
Já dentro da cozinha o tesão pode sair pela dureza do meu pau que ela agarrava e não acreditava. "Nunca vi um pau branco desse tamanho" e eu nada falei, apenas empurrando sua cabeça pra baixo. Sim, agora estava clara a alegria do pretinho e mais ainda o porque de compartilhar com o amigo que ria também querendo aquela boca de língua e lábios absurdamente doces. Ela sabia muito bem o que estava fazendo com aquele pau na boca e sem qualquer aviso esporrei direto na sua garganta. Ela esgasgou-se, tossiu, cuspiu o que ficou na boca e esboçou uma reclamação quando lhe meti a mão na cara e voltei a lhe preencher a língua. Ela chupou e deixou limpo. Dali a arrastei pro quarto, pro colchão onde poderíamos fuder sem dores, sem complicações. Não estava mais em idade de ficar todo dolorido e fudido por causa de uma foda.
Aqui eu deixo que vocês imaginem o terror que fizemos, a pele preta e a pele branca dentro do quarto, assim como fiz com a galeguinha e seu exército de negos.
O dia raiava e a gente não conseguia parar. A cozinha era longe demais e a pequena garrafinha d'água que mantinha para minhas noite de ressaca não dera conta nem da primeira hora.
Fudiamos e fudiamos e ela só descansava nos momentos que meu pau não aguentava mais e demorava a subir. Eu ficava olhando para o teto e para meu pau, já praticamente em carne viva. Quando o tesão voltava e sentia uma mínima ereção eu atolava dentro dela outra vez para acordá-la junto com meu pau.
A noite voltava e eu não conseguia parar. Ela se mexia pouco. Meu pau sangrava. Algumas eu a fodi dormindo enquanto ela gemia baixinho, de olhos bem fechados. Na madrugada seguinte foi que consegui sair da cama e bambeando, sentindo-me extremamente fraco, segui para a cozinha. O primeiro copo da cerveja velha e choca caiu no estômago vazio como uma bomba e eu cai pelo chão gelado com meu corpo nu. Fiquei um bom tempo ali amaldiçoando todos os deuses e rogando a Deus que levasse aquela dor para a casa do caralho que parecia ser a última de minha vida. Quando consegui me por de pé outra vez disquei um número que tava na geladeira, e pedi uma pizza. Pela primeira vez desde que desci ao galego, sentia que precisava comer algo. Para o estômago. A atendente, com voz lenta, aparentando sono, informou que o expediente havia fechado e todos os entregadores haviam ido para casa. Prometi pagar o dobro, o triplo se ela viesse e expliquei que não comia há três dias devido a uma doença que só naquela hora me permitira sair da cama. Acho que ela se comoveu, anotou meu pedido e veio. A pizzaria era do outro lado da rua.
A atendi nu e com sangue no pau. Ela ficou boquiaberta com a cena e eu joguei o preço normal da pizza sobre seus seios e bati a porta em sua cara sem lhe dar tempo. Devorei cada pedaço sem mastigar. Me sentindo levemente mais forte fui ao banheiro e sem querer olhar para o estrago ali embaixo, deslizei os dedos com uma pomada cicatrizante e mordendo a toalha para não gritar. Voltei pro quarto e deitei ao lado da preta que estava na mesma posição, esgotada.

Impossível dizer quantas horas dormi, mas foi o tempo de acordar e constatar pelo gelo e falta de cor em sua pele que estava morta. Marília, a preta da Mangueira, não agüentara a maratona. Dei-lhe um beijo e voltei a dormir. No outro dia decidiria o que fazer.

Tuesday, November 07, 2006

A Preta

O calor da boceta dela é o que me prende a essa porra. Só isso para aturar essas crises de ciúmes, essas cenas, barracos, gritos, acessos de raiva... mas deve ser o preço a se pagar. Fode demais essa preta! E no mais, mulher boa e gostosa assim é difícil de se conseguir por aí, né não?. Balão que é um fudido aturando as papagaiadas daquela boceta fedorenta... hahaha... nunca mais que como aquela mulher. Nem que me implore. E no mais, paro de deixar o grande Balão com essas coceiras chatas. È... eu sei, mas e daí? Ela que me procurou reclamando do cara que fode mau, tem pau pequeno, essas paradas. Mandei rola pra fazer a mulher gozar alguma vez na vida. Pelo menos alguma vez teria que acontecer com a coitada. E não me importo de presentear essas mau-comidas da vida não. Más? Más-comidas... não importa como se diz e também não me importo em comê-las. Ah, eu sei, mas uma boceta só não dá conta não. Ora, porra! Se tem tantas querendo um pau porque eu vou negar? Ué, aí eu corro atrás dela, prometo que mudo, digo que foi um momento, esses papos... claro que ela volta. Nunca que vai encontrar outro que a foda que nem eu. Fechamos bem na coisa. Ela curte meu pau e eu adoro a boceta dela. Mas ela não pôs cadeado aqui não, ó. Meto em quem eu quiser. Ora, porra! E eu com isso? Desde que não no nosso cafofo! Nunca levei mulher nenhuma pra lá, se quer saber. Sempre dou meus jeitos. Tanto que ela nunca soube de nada... desconfia, que não é boba, mas nunca soube. E também evito coisa muito perto, né, mas essa do Balão foi uma pequena falha no sistema. Hahaha. Falei que não tem segundo round. Só espero que ela fique na dela pra ninguém desconfiar. Nessas coisas tem que ser esperto... não deixar brechas. Fechar bem os cantos. Eu sou taxista, meu caro. Não há álibi melhor nessa vida pra se fazer putaria sem deixar pistas. Tenho minha cota diária de grana... normalmente no início da tarde, se eu sair de casa às seis da matina, já deu. Daí pra frente ou eu faço uma grana pruma puta ou procuro uma amiga... já, já, tem umas no gatilho que é só ligar. Já sabem como é tudo... é, mas tem dias que volto cedo pra casa pra dar uma moral pra preta. Hahahaha, claro que não! Mesmo se eu comer duas, três eu ainda chego em casa e meto demais com ela! Hahaha! Claro! Nunca brochei com essa mulher. Sério! Não to dizendo que nunca brochei na vida... não me interprete do teu modo. O que to falando é que com ela não. A parada é forte. Química, como dizem. Forte demais... eu já chego em casa de pau na mão. Ela que reclama muito... diz que só quero isso, que não a deixo em paz, essas babaquices... mas só fica falando até que eu meta a rola porque aí ela gosta. Gosta e goza! Hahahaha... Travestis?! Ora porra, claro! Demais... e não me considero viado! Nunca dei o cu nem chupei um pau... ainda. Hahahaha. Pois é, não sei o dia de amanhã, mas nunca fiz nada disso e te falo na boa, não tenho nem tesão... meu tesão é ver! Adoro comer aquelas menininhas de pau duro! Puts, fico doido! Mas nem toco, só digo que gosto de ver e realmente gosto. Rapaz, é porque é o seguinte... o tesão do homem é impossível de esconder. Ta lá, é natural e fica logo amostra... o da mulher não. Claro, claro... dá pra ver se você conhece a mulher porque nem todas reagem da mesma forma, então dá pra se ligar quando tu come a mulher todo dia, mas uma puta, por exemplo, a maioria fode contigo por grana, te pedindo pra gozar logo, vai, te chama de beizinho, grita ui ui, mas não tão sentindo porra nenhuma... tão pensando no outro doido de pau duro que ta lá embaixo pra ela fazer logo a grana. Com travesti é diferente... Aquilo é mulher! Ora porra claro que é! Só nasceu no corpo de homem, ué, mas é mulher... claro, claro, eu sei, modificou a porra toda, tem umas que estão piores que o Cauby, mas isso é de cada uma, eu digo que elas são mulheres, mas tem pau! Esse é o ponto. E um traveco não pode te mentir se sente ou não tesão porque ou o pau cresce ou não, que nem tu e eu. Claro que muitas não ficam de pau duro, às vezes acabaram de gozar com o doido que adora um pau no cu, mas a mulher não pode saber e vai lá dar pras bonecas, o que não é o meu caso. Minha excitação é saber que ela está excitada! Fico louco com isso, meto com o pau explodindo e só fica melhor quando ela goza também. Geralmente nessas eu acabo voltando porque me dão mais tesão, mas não muitas vezes nem logo depois que não quero criar vínculo nenhum, só gozar. Rapaz, tu não tem noção de quantos travestis existem nessa cidade! Só de pontos eu conheço uns seis diferentes em todos os lados da cidade. Demais. Já, já fodi madame e já fodi até casal por causa do táxi. Ah, meu caro, pra quem gosta de putaria a vida de taxista até que vale a pena. Claro, com a sua autonomia paga porque só assim pra conseguir dinheiro, se não tu vai ser escravo de algum filho-da-puta qualquer. Mas o papo da madame, claro! Essa história é boa. Foi o seguinte: peguei ela no aeroporto. Já entrou chorando. Uma coroa de vestido que me pareceu gostosa quando fez sinal, mas nem era tanto. Peitchola mole, boceta peluda. Não curto muito não. Mas isso só vi depois, claro. Então... ela entrou e só chorava... fiquei olhando pelo retrovisor e esperando. Ela só fez sinal com a mão como quem manda eu virar a cara e simplesmente andar e foi o que fiz. Dei uma volta por ali mesmo, devagar, sem pressa, depois fui lá pro outro lado sempre sem pressa deixando o taxímetro rodar e fui rodando. Sem pilha, acho que ficamos meia hora nessa. Teve hora que eu até esqueci da mulher. Olhei pra trás e tava ela lá com cara de paisagem, já sem chorar, vendo a rua, os barracos, sei lá... não tinha nada pra olhar por ali onde estávamos. È, talvez ela nem tivesse prestando atenção, viajando, né? Pois é, tava assim. Continuei na minha, mas acho que ela se ligou que eu me liguei nela e tentou puxar um assunto. Uma parada nada a ver. Algo como o que eu achava do tempo ou da seleção, sei lá, sei que não entendi nada e fiz a minha cara de paisagem. Ela suspirou e ficou na dela e eu na minha. Depois de mais um tempo foi que perguntei se ela já sabia para onde queria ir e ela disse que não. Continuei na minha. Segundos depois ela completou: “Eu não sou daqui. Nem tenho família aqui. Nem conheço ninguém nem nada aqui. Essa é a primeira vez que piso nessa cidade e, sinceramente, não sei o que vim fazer aqui.” Hahaha, eu quase dei um freadão que ia jogar ela de cara no banco, como nos filmes, saca? Hahaha, porra! Fiquei de cara! Como assim? Mas aí começamos a conversar. Tava bem mais calma. Não sei se tomou uma paradinha enquanto eu rodava a cidade e não percebi, mas sei que parecia outra pessoa. Aí foi que descobri todo o circo. Resumindo, a mulher chegou em casa e pegou o marido fodendo a prima. Hahaha, porra! A prima! E na própria casa! Essa caras são uns bundas mesmo... mas aí disse ela que foi isso. Ficou zureta, saiu de casa louca e foi dar no aeroporto. Disse que só chorava e pediu somente a passagem para o próximo vôo que não queria saber pra onde, só queria embarcar. Gente rica é uma porra, né? Eu, só andei de avião pra ir ver meu velho quando tava morrendo e ainda assim fiquei uns meses pagando aquela porra, agora a mulher vê o marido com a prima na cama box do casal, fica louca e pega um avião qualquer, assim, como quem entra num táxi num momento de desatino. Depois que fiquei pensando... e se o próximo vôo fosse pra Xangai? Hahahaha Ou Botswana, aquele país lá na Ásia! Hahahaha, que doida! Mas aí veio parar aqui e quando saiu do saguão esticou o bracinho pro primeiro táxi que passava e quem tava lá? Prazer, Paulo. Hahahaha, pois foi isso. Depois de quase uma hora rodando e conversando ela me chama pra sentar com ela e tomar uma cerveja. Perguntou se não tinha problema e, bem, não tinha, mas fiz um charminho, como se não pudesse, mas não demais porque eu me liguei que ela tava querendo rola. Tomou uma chifrada feia do marido e agora queria um revide ou só um carinho de um macho de verdade. E no mais, já eram umas 5 da tarde, o trânsito tava começando a engrossar e pum, aceitei e fomos prum shopping que tinha um barzinho reservado, desses de empresário, pouca gente, muita grana. Fomos lá. Ela me pagou adiantado e em dobro e subimos. No meio do papo ela veio com aquela pergunta cretina: “Você me acha muito feia?” Há, foi o sinal. Perdi todo o pudor e mandei na lata que não só a achava bonita e sensual como tinha desejado no momento que a vi dando sinal. Fiquei na minha porque tava chorando, poderia ser algo serio, enfim, fiz um filminho pra mim, falei o que ela queria ouvir e pum, pau dentro. A gente se deu uns pegas ali mesmo, mas foi rápido. Depois ela pagou a conta e fomos prum motel que ela pagou, claro. Rapaz, a coroa parecia numa seca antiga, ó... quase acabou comigo. Ficou doida quando viu o tamanho do meu pau e veio pra cima que nem uma louca! Me chupou, sentou, ficou de quatro, fez o caralho a quatro! Até o cu ela me deu! Não, dessa eu nem posso dizer que comi, ela me deu o cu quase que sem o meu consentimento... deu uma ajeitadinha e atolou tudo. Nem acreditei quando vi. A coroa tava na seca, rapaz. Quando tava pra gozar me batia pedindo pra bater nela, “na cara! com força!”, gritava. Eu não sou de bater em mulher não, não gosto e não é por babaquice de que em mulher não se bate, eu não gosto de bater, nem em homem, acho que só briguei três vezes na vida e foi quando moleque... depois nunca precisei e essas mulheres que gostam de sopapo eu encho é de pica. Dou uns tapas na bunda até ficar vermelha e pronto, mas essa coroa não deu, ela me batia se eu não batesse nela e quando fiquei puto, bati demais. Hahahaha. Acho que era o que ela queria, mas na hora fiquei até meio bolado, pensei que tinha acabado com a coroa, mas ela curtiu. Sem querer, rapaz, sem querer eu dei um tapão na cara que deixou uma marca de soco. Ela disse que tava ótimo. Vai ver queria exibir alguma marca pro marido, sei lá. Depois do banho pôs os óculos e pronto. Me pediu que a deixasse no aeroporto de novo e, mesmo sem ter ligado o taxímetro, me pagou a corrida. Em dobro! Nem sei se ela conseguiu voltar naquele dia, já era noitinha, tipo, nove horas. Também nem quis saber, só a deixei lá e voltei pra preta antes que ficasse difícil de explicar, mas esse dia até que foi mole. A grana que a coroa me deu justificou o papo, falei que trabalhei até mais tarde pra fazer a grana, pagar as contas e tudo mais. Não xiou muito não. Se eu voltar com grana ela fica na boa. Dei mais uma com ela pra lhe aquietar o facho e pum, fui dormir. Doidera, né? Mas acontece. Eita porra! Olhae a hora, me empolgo falando dessas histórias, tem jeito não, mas a gente se fala mais outra hora porque se não, sabe como é... a Preta...